Jornal do Brasil

Sexta-feira, 22 de Junho de 2018 Fundado em 1891

País - Artigo

Protestos de produtores rurais

Jornal do Brasil EVANDRO GUIMARÃES

É muito difícil para os produtores rurais se posicionarem nessa greve de maneira homogênea. O preço do diesel tornou oneroso demais a operação de tratores e motores para irrigação e outras aplicações. Por outro lado os prejuízos que centenas de milhares de produtores tiveram ou podem ter, dá um nó na garganta das famílias de produtores e seus funcionários.

Com a paralisação, a atividade rural percebe de maneira ainda mais clara a dependência que temos do óleo com a quase totalidade da logística vinculada à atividade rodoviária. Trens e navios são para grandes cargas, agregadas. Quem se manifesta a favor da paralisação (que foi apenas parcial, anote-se) está carregando insatisfação pesada com outras questões que a todos aflige: um quadro político pobre, sem perspectivas de saneamento vigoroso da corrupção, câncer líder para a maior parte da população. 

Na atividade agrícola, o caos muitas vezes vem da estiagem ou das enchentes, incontroláveis. Mas os políticos deveriam estar a nosso alcance pensam nesse momento agricultores e pecuaristas. Políticos de quaisquer partidos deveriam ser impedidos rapidamente de atividades suspeitas, deveriam ser demitidos por evidências comprometedoras. 

É o que o momento provoca nos corações e mentes de quem trabalha e produz  no campo, que não está organizado para se manifestar como estão (ou parecem estar) os profissionais de transporte de cargas.

O campo acostumou-se a ser tratado ora como latifundiários, ora como predadores, ora como desorganizados. Assim, o poder de manifestação dos caminhoneiros induz à reflexão saudável: não podemos fazer igual? não podemos provocar desabastecimento? A produção de alimentos, organizada não será derrotada, sonham alguns. 

Mas, o mundo das fazendas nunca terá essa chance se não mudarmos a representação associativa e política que hoje existe. A sub divisão está na dimensão geográfica, das culturas, das espécies e raças. Existem segmentos integrados a convênios com a indústria, e outros inteiramente desintegrados. Existe uma diversidade que alimenta o desânimo por uma estruturação mais eficiente da representação e disso, se aproveitam os aproveitadores. 

Temos que começar e 2018 oferece uma oportunidade: não votar em quem desconhece os verdadeiros problemas do produtor rural , em cada Estado. Vamos sair dessa pomposa e enganosa ideia geral de valorização do “ agronegócio “ e vamos ter uma bancada  DO PRODUTOR RURAL. Lição de uma greve.



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