Jornal do Brasil

Quarta-feira, 20 de Junho de 2018 Fundado em 1891

País - Artigo

Mulheres S/A: reflexões para uma carreira sustentável

Jornal do Brasil RENATA ABREU*

As empresas deveriam investir mais na força de trabalho feminina. Pesquisas apontam que mulheres em comitês executivos melhoram os resultados financeiros e ampliam a visão estratégica do negócio. Hoje, as mulheres são a maioria da população, vivem mais, têm menos filhos, ocupam cada vez mais espaço no mercado de trabalho e são responsáveis pelo sustento de quatro a cada 10 famílias. 

Apesar dessa evolução nos últimos anos, ainda há muito que caminhar. Essas mesmas mulheres ainda gastam, em média, quase 21 horas semanais com tarefas domésticas, enquanto os homens se dedicam a quase metade disso, segundo dados do IBGE. Além da dupla jornada, ainda estão presentes os preconceitos velados e as diferenças salariais, frutos de uma sociedade prioritariamente patriarcal. 

Não é de se espantar que duas em três brasileiras se considerem sob efeito do estresse na maior parte do tempo, segundo a pesquisa “The Women of Tomorrow”. E o pior: os dados ainda mostram que os níveis de infelicidade nas mulheres aumentam com o tempo. 

Mesmo com esses desafios, a boa notícia é que, há décadas, pesquisas confirmam que as mulheres desempenhando papéis profissionais têm maior índice de bem-estar, pois pode proporcionar não só um meio de subsistência, mas uma fonte de significado na vida. Portanto, a questão que cabe reflexão é: em meio à multiplicidade de papeis e à sobrecarga de trabalho, como estabelecer uma carreira sustentável e gratificante? 

Em primeiro lugar, é preciso tirar o foco dos pontos negativos ou no que precisamos aprender e desenvolver. A solução é o caminho oposto. O segredo do sucesso está na capacidade de (re)conhecer talentos, identificar e desenvolver pontos fortes para organizar funções e planejamento de carreira. As fraquezas devem ser conhecidas e gerenciadas, mas a maior parte da energia deve ser usada para intensificar as qualidades. 

Além disso, é preciso estabelecer objetivos e metas significativas no trabalho. A autenticidade é fundamental para perseguir aspirações alinhadas aos valores pessoais e chegar a um futuro que seja, genuinamente, recompensador. Harmonia entre os objetivos também é importante, pois eles devem ser complementares e ter afinidade entre si, caso contrário poderão levar ao estresse e infelicidade. As conquistas, quando celebradas, ajudam nesse aspecto. O motivo é simples: auxiliam na formação da memória de sucesso, autoeficácia e otimismo. 

A inspiração em histórias de outras mulheres também estimula. Há casos em que elas param de trabalhar por um tempo após a maternidade e depois retornam; outras continuam normalmente e seguem com sucesso em sua carreira original; algumas poucas usam período sabático para repensar suas prioridades; e há mulheres que ainda adaptam suas carreiras ao estio de vida que desejam. 

Potencializar a positividade, por intermédio das emoções, pode ser outro aspecto importante para manter o sucesso profissional. Cultivar a positividade estimula a eficiência, resiliência e produtividade. Juntas, levam a níveis elevados de desempenho. Isso porque ampliam a cognição, visão de conjunto e criatividade, além de melhorar as habilidades na tomada de decisão, negociação e relações sociais. 

Dentro desse contexto estão inseridos os relacionamentos que podem ser explorados e desenvolvidos no trabalho. Considerando que a maioria dos ambientes é volátil e com altos níveis de pressão e estresse, melhorar a capacidade de lidar com eles representa grande vantagem competitiva. As interações positivas ao longo do dia de trabalho contribuem para o melhor funcionamento do sistema cardiovascular e reduzem os níveis do hormônio do estresse. 

Estabelecer uma carreira sustentável é possível. Esses são alguns dos pontos que a psicologia positiva aborda e comprova. Com esforço e dedicação é possível alcançar patamares de desempenho inimagináveis. 

* Especialista em psicologia positiva e autora do livro “Felicidade feminina: uma escolha possível com práticas da psicologia positiva”



Tags: brasileiras, estratégia, mulheres, negócios, psicologia

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