Jornal do Brasil

Quarta-feira, 3 de Setembro de 2014

Antonio Campos

O mar de Maria Bethânia 

Antônio Campos 

Parafraseando o músico Tom Jobim, as águas de março fecharam o verão, mas trouxeram, consigo, uma inestimável obra-prima que une a água à arte. E é através de Maria Bethânia que essa união se concretiza, exitosa e infalível, como toda música produzida pela baiana. E mata, assim, a sede dos seus fãs e admiradores que esperavam pelo lançamento do seu novo disco. “Oásis de Bethânia” é a 50ª obra de uma das maiores intérpretes brasileira, que chega, mais uma vez, para mostrar que essa fonte musical e criativa ainda tem muito para nos presentear.

Uma apaixonada declarada pelo mar, irmã do talentoso Caetano Veloso, filha de Dona Canô. Maria Bethânia é uma mulher plural, que transcende a atmosfera mundana e chega aos palcos, elegante, geralmente vestida com tecidos leves e claros, esbanjando simpatia e carinho pelo que faz. Certamente, 50 discos depois, Bethânia tornou-se uma artista ainda mais apurada. O mar, portanto, simboliza, e acompanha, as metamorfoses da intérprete que, por onde passa, canta e encanta. 

“Sou humana, mas tenho uma guelra, é no mar que me sinto em casa”, disse Maria Bethânia durante uma entrevista. Mar, água, praia, litoral. E, claro, o Oásis de Bethânia, um deleite para lindas canções. A música, de maneira geral, abraça o mar e o relata em várias composições. Em contraposição, a literatura brasileira, por vezes, esquece do valor do mar que nos rodeia, ao contrário do que a mesma arte literária faz com a temática sertaneja, sendo pródiga ao relatar, por exemplo, o “Grande Sertão”, de Guimarães Rosa. Somos feitos e cercados de água. Levantar esta bandeira é admitir a honra e alegria que temos em viver em um país envolvido por lindas praias e mares vivos e reluzentes.  

Além de todo o encargo emotivo e delicado trazido pela nova obra de Maria Bethânia, traz, também, o sentido e significado existente por detrás dos oásis e mares. Bethânia mostra-nos, assim, uma relação de leveza e, ao mesmo tempo, firmeza e precisão, cheia de vida e brandura, que devemos manter com o mar. Afinal, como dizia Guimarães Rosa, perto de água tudo é mais feliz. 

* Advogado, Escritor e Membro da Academia Pernambucana de Letras - camposad@camposadvogados.com.br

Tags: antônio campos, Artigo, coluna, JB, Maria

Compartilhe:

Postar um comentário

Faça login ou assine para comentar.