Jornal do Brasil

Futebol & Cia

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Renato Mauricio Prado

Drama do Maracanã = caos no Rio

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Só mesmo no Rio de Janeiro, estado dirigido há décadas por uma camarilha de políticos da pior espécie (vide o ex-governador que agora está na cadeia e responde a mais de 20 processos) enfim, só mesmo na Cidade Outrora Maravilhosa pode-se imaginar que o Maracanã, um de seus principais símbolos e cartão postal, continue entregue a um consórcio liderado pela empreiteira Odebretch, empresa comprovadamente envolvida até o pescoço nos mais cabeludos casos de corrupção da República.


Fôssemos um estado (e, por que não dizer, um país?) com um mínimo de seriedade, o contrato de licitação firmado no (des) governo Cabral já teria sido cancelado e aquele que foi um dia o maior e mais bonito estádio do Mundo entregue a uma empresa idônea, em parceria com os clubes que são, em última análise, a sua razão de ser.


Desde que comecei no jornalismo, há mais de 40 anos, o Maraca tem sido palco de roubalheiras colossais que, obra após obra, só fizeram descaracteriza-lo e piora-lo. Por conta delas, por longos períodos, a principal praça de esportes do estado ficou fechada, como aconteceu nos últimos anos nos preparativos para o Pan-Americano, a Copa e as Olimpíadas. Um descalabro.


A fundamentada queixa de Diego, camisa 10 do Flamengo, após o jogo da última quinta-feira, é apenas a ponta do iceberg. O gramado realmente está um lixo, apesar de todo o tempo que se teve para melhorá-lo durante a Copa da Rússia. O pior, porém, nem é isso. Já está previsto novo período de obras, agora para a Copa América do ano que vem, fechando o estádio de janeiro a maio, para “adequações e modernização”. Mas, por favor, me digam, qual o sentido de se ter que fazer novas reformas para adequar o Maracanã às exigências da competição continental, quando há dois anos, ele foi todo refeito, para se adequar ao famoso padrão Fifa?


Gostaria muito que os nossos candidatos a governador falassem de seus planos para o esporte em geral e, para o Maraca, em particular. Nenhum deles, entretanto, tocou no assunto. Nem mesmo o baixinho Romário, que teve no estádio um de seus principais palcos. Triste.


Você sabia?
Um pássaro bem-informado me garante que a CBF pagou, pelo VAR na Copa do Brasil, o dobro do que a Fifa gastou com a Sony, para ter o auxílio eletrônico no Mundial da Rússia. Detalhe: a empresa contratada por aqui não tinha expertise alguma no assunto. Trata-se de uma produtora de vídeo. Espantado? Eu, não...


Que surpresa!
Quantos clubes brasileiros estão em dia com o ProFut, aquele programa de refinanciamento das dívidas do nosso futebol? Acertou quem disse UM! Somente o Flamengo vem pagando regularmente o acordado. Punições a vistas para os demais? Permitam-me gargalhar. Em breve, podem apostar, será criado mais um tipo de Refis para “salvar” o velho e violento esporte bretão no país. E todos deixarão de cumpri-lo, como já aconteceu com a Timemania (lembram dela?), o Profut e os vários Refis já lançados. Piada.


Abismo à vista
Até o atual campeonato, os chamados clubes grandes que caíram para a segunda divisão, mantiveram, no primeiro ano de descenso, o valor integral da cota de televisão a que tinham direito – aconteceu com Corinthians, Inter, Vasco, Botafogo e por aí vai. A partir do ano que vem, a mamata acabou. Caiu, vai receber como time da série B. Voltar à elite ficará bem mais difícil.


A favor ou contra?
Sei que o trabalho do advogado é assim mesmo, mas não consigo deixar de sentir certa estranheza em ver o Santos contratar o ex-vice-presidente jurídico do Fluminense, Mário Bittencourt, para defendê-lo no caso de Sánchez, que foi flagrado em situação irregular, na Libertadores. Exatamente o contrário do que ele fez no notório caso da Portuguesa, que evitou que o tricolor caísse, há cinco anos. É em situações como essas, que me lembro daquela piada do jovem bacharel em direito que preparou uma tese de mestrado sobre Jesus. “A favor ou contra?”, perguntou-lhe o decano da banca, antes do início da apresentação. A cara do direito.


Menosprezo?
A decisão de escalar os titulares hoje, contra o Fluminense, no Mineirão, dá a entender que o Cruzeiro considera favas contadas a classificação na Libertadores, na próxima quarta-feira, diante do Flamengo. Afinal, antes de jogos da principal competição do continente e também da Copa do Brasil, Mano Menezes tem sempre mandado a campo uma equipe cheia de reservas. Pelo visto, está com mais medo do Flu, hoje, do que do Fla, no meio de semana. A vantagem de 2 a 0 lhe parece cômoda.


Obrigação
O Botafogo enfrenta hoje, no Nilton Santos, o Sport, time de pior campanha no Brasileiro pós-Copa. A vitória é obrigação, pois o alvinegro carioca está a apenas três pontos da zona da degola. Nas últimas cinco rodadas, os pernambucanos perderam quatro vezes e empataram uma. O Glorioso não foi muito melhor: perdeu três e empatou duas...


Revanche à vista
O sorteio das chaves foi generoso com Rafael Nadal que, salvo surpresa, defenderá o seu título em nova final no US Open. Do outro lado da chave, entretanto, já há um clássico previsto para as quartas-de-final: Federer x Djokovic. O US Open começa na próxima segunda.



Tags: futebol

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