Wikileaks: Kadhafi pediu armas aos EUA para conter "extremistas"

Por Dayanne Sousa

"O mundo está vivendo como um vulcão e há risco de explosões extremistas no mundo todo", disse o ex-ditador líbio Muamar Kadhafi a um senador americano em 2005, segundo documento secreto da embaixada dos Estados Unidos divulgado na última leva de publicações do WikiLeaks. É como se ele já previsse a onda de protestos que tomou conta de países como o Egito, a própria Líbia e a Síria em 2011.

Fora do poder depois de interferência das forças da Otan no país em meio a insurgência de grupos rebeldes, Kadhafi teve hoje seu mandado de prisão emitido pela Interpol, a polícia internacional.

Os documentos do WikiLeaks, porém, revelam uma relação amistosa do governo norte-americano com o ex-ditador. Naquela data, ele pede armas para lutar contra os rebeldes de seu país, do Egito, da Tunísia e do Sudão. Kadhafi se encontrava com o senador Dick Lugar, um dos mais antigos republicanos e parte importante do governo George W. Bush. A conversa foi relatada pelo embaixador Gregory L. Berry no telegrama 05TRIPOLI221

Sem disfarçar, Kadhafi faz cobranças claras ao Estados Unidos, uma vez que avalia que os norte-americanos devem a ele. "Nós ajudamos Bush a se reeleger", vangloria-se. Kadhafi mostra que se considerava um colaborador, se via como o responsável por evitar o surgimento de regimes fundamentalistas islâmicos na região. E cobra a conta por isso.

Segundo Kadhafi, os EUA haviam prometido apoio a seu governo se ele abdicasse de desenvolver tecnologia nuclear, o que ele fez em 2003. Em troca, exige proteção e o fornecimento de armamentos de defesa convencionais, ou seja, não nucleares. "A Líbia tem o direito e a necessidade de se proteger, nos prometeram que os Estados Unidos ajudariam, mas nada foi feito".