Um parque de diversões que começou como atração itinerante em São Paulo no ano de 1919 ainda funciona, ainda recebe público e acaba de ganhar um reconhecimento oficial do Estado do Rio de Janeiro. O Parque Shanghai, na Penha, na Zona Norte carioca, foi declarado Patrimônio Cultural Imaterial do estado nesta semana.
O decreto foi assinado pelo governador em exercício Ricardo Couto e publicado no Diário Oficial Estadual. A iniciativa surgiu a partir de projeto de lei do ex-deputado Andrezinho Ceciliano (PT-RJ), com coautoria da deputada Marina do MST (PT-RJ). O texto também determina que o governo estadual apoie ações voltadas à preservação e valorização do espaço.
Mais de um século de história
A trajetória do Shanghai é longa. Fundado em São Paulo como parque itinerante, chegou ao Rio de Janeiro em 1934. O primeiro endereço carioca foi no chamado Aterro do Calabouço, área que hoje abriga o Aeroporto Santos Dumont. Na década de 1940, a expansão do aeroporto forçou a mudança para a Quinta da Boa Vista, no bairro de São Cristóvão.
O parque ficou na Quinta da Boa Vista por duas décadas, até que, em 1966, ganhou o endereço definitivo: ao lado da Igreja da Penha, um dos pontos turísticos e religiosos mais importantes da Zona Norte. Desde então, o Shanghai nunca mais se moveu.
O nome veio da atração original. No início, o parque tinha como carro-chefe uma luta de Telequete, de origem chinesa. Dali surgiu o nome Shanghai.
O que mantém o parque vivo?
São cerca de 4 mil visitantes por mês. O espaço ocupa 17 mil metros quadrados, conta com 28 atrações e ainda realiza centenas de festas de aniversário por ano em seus sete salões de eventos.
O dono do empreendimento, Bernardo Waller, aponta que a memória afetiva também é o grande motor para a sobrevivência do parque. “O que atrai tanta gente até hoje é a história emocional, muita gente tem apego ao parque. Pessoas da quarta geração de suas famílias nos visitam. O bisavô trazia o avô, que trouxe o filho, que trouxe o filho, que andam no mesmo carrossel que seus antepassados. É pertencimento, memória”, afirma.
Entre as atrações que ajudam a explicar essa fidelidade está um carrossel de metal, peça rara entre parques brasileiros. A relação com gerações de frequentadores da Zona Norte também pesou no reconhecimento internacional: o Shanghai recebeu o prêmio italiano Golden Pony, concedido ao parque mais antigo ainda em operação na América Latina.





