Conselhos a um “gentleman”

Por Celso Franco

Em atenção à maneira cordial e educada com que sempre me distinguiu o secretário estadual de Transportes, Júlio Lopes, ouso mandar-lhe alguns conselhos, fruto de minha experiência de mais de 40 anos no estudo do trânsito, principalmente quando tive  o privilégio de exercer o seu controle no meu estado. Certas coisas só se aprendem com a idade. Não é à toa que existe um provérbio gaúcho que diz: “O diabo é sábio porque é diabo, mas muito mais porque é velho”.

Li com alegria, na mídia, que o secretário Júlio Lopes pretende regulamentar o horário de circulação dos caminhões nas rodovias do estado. Estou aqui para aplaudi-lo e lhe dar o maior apoio a essa medida inteligente que preconizo, em meus escritos há tempos. Na Alemanha, apesar de possuir a melhor e mais segura malha rodoviária do mundo, desde os anos 70, é proibida a circulação de caminhões nos fins de semana e feriados.

Quando dirigi o Detran, proibi este tráfego nos dias úteis, das 6h até as 10h, na Avenida Brasil. O propósito era a mobilidade do tráfego, dos residentes na Zona Suburbana e na Baixada Fluminense, que se dirigia ao Centro. No início os prejudicados reclamaram, mas as melhorias e os elogios que tal medida provocou encerraram o assunto.

Vejo, na divulgação desta notícia, que o seu propósito é também a mobilidade dos que retornam das cidades serranas, e funcionaria somente nos fins de semana, em horários estabelecidos. Quando recomendo esta medida, ela é para funcionar nas mesmas condições da Alemanha, principalmente para diminuir os acidentes, provocados pelos motoristas desesperados, contidos atrás de um caminhão, que impunemente desrespeita o artigo 219 do Código de Trânsito, que pune, como infração MÉDIA, trafegar na velocidade inferior à metade da máxima permitida. O princípio do PEIV, que comanda as reações do motorista, fará com que o E de emoção e o V de volição provoquem a reação, às vezes perigosamente intempestiva, da ultrapassagem indevida. Minas Gerais, com sua malha viária de mão dupla, na maioria de suas estradas, é um exemplo deste fato, traduzido no grande número de acidentes que lá ocorrem nos fins de semana e feriados prolongados.

Senhor secretário Júlio Lopes, prossiga nesta medida inteligente e salutar, não somente para agilizar o escoamento, mas principalmente para diminuir o risco de acidentes. Os motoristas ficarão devendo esta medida ao P de sua percepção e o I de sua inteligência, presentes não apenas no condicionamento do motorista, no princípio do Piev, mas em todas as ações do homem.

Como último conselho, estabeleça o horário diurno como proibição, que é o período de maior volume de tráfego nos fins de semana e feriados prolongados, ou seja, o inverso do estabelecido na Ponte Rio-Niterói, com uma pequena modificação, das 6h até as 22h.

Quanto às reclamações, não faça caso, o resultado justificará os meios, e os caminhoneiros irão se adaptar. Afinal, é velho o dito popular: O corcunda sabe como se deita.