Crítica: Orchestre Nacional du  Capitol de Toulouse

Por Maria Luiza Nobre

O concerto começou com puro charme com a entrada da spalla da orquestra. O regente e o conjunto trabalham há sete anos juntos,o que já ajuda a solidificar o grupo a ter a cumplicidade desejada.A primeira obra do programa foi o “Prélude de l’Après-midi d’un faune” de Debussy, que já mostrou a sofisticação e  a qualidade sonora da orquestra,com um início bem plástico e evidenciando as virtudes do regente,Tugan Sokhiev.

A segunda obra foi o conhecidíssimo “Concerto para piano em Sol Maior” de Ravel tendo como solista Bertrand Chamayou. Esta obra é super conhecida e bem íntima do público carioca e sobretudo dos pianistas de todas as gerações no Rio,que passaram pelo texto em alguma época de suas vidas.É um peça tradicional do repertório de todo pianista,e por isso mesmo  é ouvido com a atenção mais do que redobrada.O primeiro movimento começou bem,com muita clareza até chegar ao trecho dos trinados,que neste caso,tem a melodia toda preenchida com trinados,que devem ser executados com uma fraseologia impecável da mesma maneira que sua sonoridade límpida e leve,deve tocar no fundo de qualquer alma,o que infelizmente não ocorreu.

O segundo movimento é sonho puro,quando o solista dialoga com os músicos,sobretudo na reexposição com o corne inglês fazendo o solo e o piano acompanhando. Os músicos tiveram afinações impecáveis,o que apesar se ser um “dever”,ainda pode ser uma incógnita em certos casos.Também sentimos falta dos pianíssimos celestiais e a qualidade da sonoridade do impressionismo tão presente neste movimento.O andamento do terceiro movimento é Presto, e foi executado em Prestíssimo,assim como sentimos falta,sim,dos sforzandos tão notados no texto e da atmosfera tão jazzística que o compositor imprimiu a este movimento delirante.Ravel era um dos mais perfeitos compositores para expressar o que queria em suas partituras,não deixando nunca dúvida no que escrevia.O pianista poderia ter segurado o andamento e tocado como Ravel escrevera,Presto,porque correr não é bom,quando não é preciso,às vezes é prova descontrole e não virtuosismo.Quando tocou de novo, como bis,o terceiro movimento,o pianista foi mais feliz.

O concerto terminou com a “Sinfonia Fantástica” de Berlioz que é uma obras master do repertório da música francesa orquestral,e o conjunto fez uma ótima leitura do texto,o que reafirma que a orquestra é uma grande divulgadora da música francesa,sendo,portanto, considerada como uma das três maiores orquestras da França.