Pessimismo x otimismo

Por Celso Franco

Com o título: “Provas de obstáculos”, a grande mídia denuncia a opinião do TCE (Tribunal de Contas do Estado) de que, a importante, eu arriscaria imprescindível, extensão da Linha 4 do metrô, que integraria a Barra á rede metroviária, pode não ficar pronta antes da Olimpíada, em 2016.

Foi para mim, morador do Jardim Oceânico, uma ducha de água fria, uma vez que, como especialista, posso melhor prever o que deverá ocorrer, se este prognóstico se realizar.

Embora não vá me atingir, uma vez que tendo saúde e também saúde monetária, não pretendo estar no Brasil, por ocasião deste evento mundial,  preocupa –me como brasileiro, veterano da Segunda Guerra Mundial a imagem de minha Pátria, em caso de um fracasso de mobilidade urbana..

A Linha Quatro é um importante segmento, o inicial, para uma série de outros modais que levarão o público até os locais da competição, na sua maioria na Barra e no Recreio.

Sofro mais porque, quis  o destino que eu, por estar na direção do trânsito do Rio, pudesse acompanhar a construção do metrô de Munique, o seu “Ubahn”, para as olimpíadas que seriam realizadas naquela cidade. Trouxe, na época, todas as publicações que preparavam a população para enfrentar os transtornos naturais, que uma obra de tal vulto, deve provocar.

Não faltaram as vistorias técnicas dos prédios, ao longo do trecho onde, o “tatusão” iria atuar, a fim proteger o interesse público e dos moradores do trecho.

No inicio das obras, a autoridade máxima responsável pela obra, um notável especialista, declarou: “ A partir deste momento estamos subordinados á tirania do tempo que nos separa da data da inauguração dos Jogos Olímpicos.”

Pude acompanhar as obras durante todo o tempo de sua execução e, quando ficou pronta, meses antes da data final, tive a oportunidade única de, viajar sozinho, com apenas a companhia do engenheiro encarregado, no novo “Ubahn”, do centro, até o estádio olímpico que também, fora construído para aquele evento.

O interessante é que, anos depois, em companhia de minha mulher, visitando a cidade, num “tour” local, ao visitarmos a central de controle do seu sistema metroviário,  ao comentar com o guia, que eu acompanhara a construção do mesmo, me haver perguntado: “ O senhor trabalhou na construção?” ao que pude responder: “Não vim aprender, pois sou do Brasil e, temos a esperança de um dia sediarmos, tão importante evento.”

Fui surpreendido, quando da ocasião da escolha do Rio, com a explosão de euforia dos representantes do governo brasileiro, sem que nenhum se manifestasse sobre a imensa responsabilidade, perante o mundo, de sediar uma olimpíada.

Educado em colégio Marista, lembrei-me de uma advertência cristã: “Presunção de se salvar sem ter merecimento”.Pelo que li na matéria, a qual me refiro neste artigo, a presunção persiste e foi comprovada por uma excelente matéria de simulação gráfica do futuro desta linha, em chegando ao Jardim Oceânico. Espetacular, em todos os sentidos, um trabalho de mestres que espero, se realize, como prêmio ao esforço dos técnicos e operários, de três empreiteiras, que nele trabalham.

Reforçando o otimismo, o Governador do Estado, veio a público, garantindo que o trecho estará pronto antes do inicio dos jogos olímpicos mundiais. Deus o ouça.

Que da mesma maneira com que nos libertamos, da tirania, da considerada ditadura, no período dos governos militares, embora com algum respeito pelas liberdades democráticas, também possamos nos livrar, dos compromissos da tirania do tempo, esta sim, implacável,sem nenhuma concessão ou tolerância.