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Nada no mundo

Por TARCISIO PADILHA JUNIOR

A atenção é uma saída do estado preexistente de dispersão ou imersão no fluxo das coisas. O que nos rodeia e tem para nós um caráter familiar (como o hábito, a rotina) não nos chama a atenção. A agudeza da atenção tem um campo ilimitado de aplicações. Não serve apenas pra perceber determinados aspectos da realidade física, como é também aplicável à dimensão moral da condição humana.

Para o indivíduo perdido no meio da multidão, o conhecimento e a visão das coisas tendem a não ser regulados pela experiência, pelo contato com a realidade, com o choque com a realidade do mundo. O eu e o mundo, a capacidade para o pensamento e a experiência se perdem ao mesmo tempo.

Já a atenção nos conecta com o mundo e essa conexão é a nossa melhor vacina contra ideologias. À falta de conexão com o mundo, à falta de experiência das coisas e dos outros, tudo tende a ser artificioso: as palavras já não dizem das coisas, minhas frases já não respondem a nada nem a ninguém.

Prestar atenção está relacionado com a capacidade de admirar. É uma experiência que tem o primeiro referencial no olhar espantado da criança diante de cores, formas e movimentos do que a rodeia. Afirma Aristóteles que “os homens começam, e começaram, a filosofar movidos pela admiração”.

A avidez por novidades, tão característica dos dias de hoje, nada tem a ver com a admiração autêntica, e sim com uma mentalidade consumista que necessita de contínua reposição. Assim, por exemplo, para admirar a excelência de uma pessoa não é necessário ver nela renovadas excepcionalidades.

Nada no mundo pode ser mais instigante e prazeroso do que a descoberta repentina de alguém, e decerto existem muito mais pessoas capazes de alcançar essa descoberta do que por vezes imaginamos.

 

*Tarcisio Padilha Junior é engenheiro