A estabilidade das organizações
Numa sociedade em rede, a circulação da informação é continuamente estimulada por impulsos que uma empresa capta do mundo exterior: novos produtos, tipos de financiamento, processos de fabricação. Grupos se formam e se dissolvem em função da capacidade de baixar os custos das transações.
A simplificação das trocas, que resulta da aceleração da velocidade de circulação da informação, modifica o equilíbrio dos custos e vantagens entre a pequena e a grande organização, entre a pequena e a grande decisão. A rapidez com que se amplificam os ajustamentos reduz o custo dos riscos.
As empresas estão terceirizando uma parte crescente dos processos de produção e gestão, e buscando identificar as atividades em que são verdadeiramente únicas. Tornam-se assim mais transparentes, mais legíveis para elas mesmas (o que melhora sua gestão) e seus parceiros externos.
Hoje em dia, em lugar da multiplicação dos níveis de decisão surgem unidades de base com bastante autonomia. Fato é que quando a organização efetivamente funciona, o conflito de dissolve numa multiplicidade de pequenas decisões e pequenos ajustes, que também configuram informação.
É a combinação dos módulos que cria a individualidade numa organização moderna. Cada cliente pode sentir que o produto ou serviço que está comprando foi concebido especificamente para ele. A estabilidade das organizações dependerá cada vez mais da maneira como as mudanças forem difundidas.
Reduzem-se as grandes decisões tomadas no nível mais elevado e multiplicam-se as pequenas decisões descentralizadas. Levantamentos periódicos de dados numa unidade descentralizada, convenientemente sistematizados, permitem detectar em pouco tempo as possíveis falhas de gestão.
Num mundo onde a complexidade se decompõe em elementos mais simples, tal clareza é apreciada pelos investidores, que aplicam mais facilmente seu dinheiro em empresas cuja atividade compreendem.
*Tarcisio Padilha Junior é engenheiro
