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Especulação, pânico e eleições 

Por W C  Farrel *

Os especuladores aproveitam a eleição para ficarem mais ricos, especulando contra o interesse nacional com ações da Petrobras.

Ao longo dos últimos seis meses, o ritmo das disputas eleitorais em torno da sucessão presidencial tem alterado o comportamento de eleitores, empresários e investidores. 

Como ressaltado por Lorde Keynes, o lado mais obscuro e fétido do capitalismo financeiro pode ser encontrado no ambiente de negociações e registro das transações e operações do mercado bursatil. No momento, estamos presenciando a mais brutal e selvagem disputa por ganhos fáceis e lucros auspiciosos, obtidos da forma mais feroz e brutal –  um verdadeiro “coração das trevas “ . Para objetivar nossas considerações, vamos começar nossa análise em julho do presente ano, quando da formalização das candidaturas e a construção de cenários e projeções de ações futuras de eventuais programas de governo. 

As denúncias de operações ilícitas na compra de uma refinaria nos Estados Unidos (Texas)   e o envolvimento de personalidades do mundo político - em especial de políticos da base governista – criaram  um cenário de forte movimento da posição  vendedora na ação da Petrobras e uma profunda perda no valor de mercado da companhia. A quinta maior empresa de petróleo do mundo foi rebaixada ao décimo sétimo lugar, chegando a valer menos que a sua congênere colombiana que detém ativos inferiores a 18 % do total da empresa brasileira. 

O mais estranho é que o mercado em sua sapiência infalível desprezou todas as avaliações do potencial das descobertas de reservas do pré-sal e do crescimento da produção de petróleo bruto das reservas em produção. Até mesmo as previsões formuladas pelas instituições internacionais que projetam para o Brasil o 5º lugar no ranking dos maiores produtores de óleo em 2025. 

Ato contínuo, o brado retumbante nos resultados das pesquisas veio no clamor das denúncias e um verdadeiro campo de batalha foi formado por  “defensores do patrimônio“ nacional, alvo de uma pilhagem sem precedentes na historia do País. 

Imediatamente percebeu-se um clima de forte aumento de compras e elevação no volume de operações com os papéis da companhia. Em movimentos sincronizados com as manifestações das pesquisas, misteriosamente fez com que o bailar do mercado passasse a ser sincronizado com uma dança ao som do metal das pesquisas.  

Até aqui o observador conservador dirá: Dane-se, os mercados são soberanos e refletem as fragilidades do mundo real. Os mercados nunca falham. Ao contrário, seus sinais apontam para a necessidade de uma correção imediata na gestão da companhia alvo do movimento benéfico de “especulação”. Contudo, a movimentação das negociações da ação da Petrobras e o Índice Bovespa nos deixa uma dúvida. Esse excesso de volatilidade em um único ativo, com diminutas variações na quantidade de outros ativos e a baixa sincronia com as flutuações do índice geral da bolsa, não representam uma evidência da presença de “informações assimétricas", ou seja, será que não temos (indícios) da existência de agentes “espertos” que acompanham  ou conhecem a direção do rufar dos tambores dos discursos, portanto, o ritmo das denúncias e das possíveis posições financeiras envolvidas em movimentos de compra e venda das ações da Petrobras? 

Nessa conspiração entre o político e o especulador, haveria um clima perfeito para a administração de ciclos de alta e baixa do papel ao rompante da verborragia dos discursos e promessas de campanha. 

O cenário do filme de aventuras é enriquecido quando adicionamos o crescente aumento no volume das operações com ADR,s títulos representativos da ação da companhia Petrobras no mercado norte-americano. Um novo bad-guy é incorporado ao roteiro. Os movimentos ciclotímicos da taxa de cambio – outra variável chave do movimento de entrada e saída de recursos financeiros do Brasil.  Quanto maior a bagunça na política, maior o movimento e as incertezas na taxa cambial, o que encarece ou barateia a "especulação" com o papel da Petrobras. 

Dúvidas? Conspiração? Boatos? Tudo é possível no imaginário das traquinagens e armadilhas que o processo eleitoral e a sucessão vem construindo. 

Leitor, eleitor, cidadão, pare, pense, reflita – a trama acima descrita pode ser uma ficção com requintes de drama, tragédia, terror ou comédia. Se a arte imita a vida, às vezes a vida se revela como arte. Só não deve ser um “conto do vigário". Onde a vítima é você. 

* Investidor e analista de negócios