Meu Copacabana Palace
Um ícone de uma cidade, por mais que ele esteja sendo comercializado por uma empresa privada, figura no patrimônio comum daquela localidade. Ele está imbuído de uma força interna, que o faz ser parte de cada morador. Ele nos dá orgulho de estar situado em nossa comunidade, mesmo sem termos um conhecimento mais absoluto do mesmo. É o caso do Corcovado, do Pão de Açúcar, de algumas praias e, na minha humilde opinião, do Copacabana Palace.
O hotel é um marco da Cidade Maravilhosa. Foi durante muitos anos administrado pela família Guinle, com dedicação, comprometimento e sobretudo glamour e elegância. Lembro, nos primórdios de minha carreira turística, a figura de dona Mariazinha Guinle, que andava pelos corredores do hotel verificando cada detalhe e cumprimentando cada colaborador pelo nome. Não posso esquecer os inúmeros eventos de turismo ali realizados, como a primeira versão dos Embaixadores do Rio, com a apresentação do saudoso Carlos Machado. Fora os jantares da AHT, gerenciada pelo empresário Jose Eduardo Guinle, que além de presidir a Riotur fez parte dos criadores da Deat e do então grupamento de turismo da Policia Militar. Sempre que podiam, os Guinle cediam o hotel gratuitamente para eventos em prol do Rio. Foi um verdadeiro parceiro da cidade e espero ainda continue.
No entanto, fomos surpreendidos pelo fato de que a atual administradora e proprietária do hotel iria mudar o nome do mesmo para Belmond Copacabana Palace, dentro de uma nova estratégia mercadológica. Tal noticia gerou uma tristeza no Rio, seguida de um sentimento de desrespeito por seu patrimônio cultural e turístico. Começa então um movimento pela manutenção do nome, que ganha as redes sociais e enseja uma ação do empresário Omar Peres pela não mudança do nome, que teve sentença favorável em primeira instância.
Gostaria de pedir, como profissional de turismo e morador da cidade, que a Orient Express revisse sua decisão. Na minha opinião, é uma miopia de marketing e na deles a criação de uma identidade visual de todos os hotéis. Como carioca da gema, que luta diariamente pela cidade, sinto-me no dever de pleitear por escrito a manutenção do nome e também que as entidaddes de turismo, privadas e governamentais, façam eco ao nosso pedido.
O meu, o seu, o nosso Copacabana Palace, além de tombado, precisa ser resguardado no seu nome.
* Bayard Do Coutto Boiteux, presidente do site Consultoria em Turismo, é escritor, professor universitário e pesquisador. - www.bayardboiteux.com.br
