Papa Francisco: um vulcão de simpatia
Papa Francisco: um vulcão de simpatia
Os brasileiros não desconfiavam que um argentino pudesse ser tão simpático. Os nossos estereótipos dos “hermanos” não eram muito lisonjeiros. Mas o Papa Francisco nos surpreendeu a todos. Mesmo perdido em meio ao nosso trânsito, com um itinerário mal traçado e caoticamente desobedecido, não perdeu o sorriso, debruçava-se na janela do carro, abanava para as pessoas, deixava-se tocar sem perder a simpatia e a majestade. Nos dias seguintes, deu aula de calor humano. Nem os discursos enfadonhos de quem queria revelar-lhe que estava num país das sete maravilhas, nem o discurso de quem quis ensinar-lhe como é a vida de um hospital, crisparam-lhe o semblante. Sorria com seus olhinhos espertos e compreensivos. Brincou de trocar de solidéu com um espectador, tomou chimarrão (mate) com outro, abraçou crianças, enterneceu-se com cadeirantes e pediu licença para rezar numa favela com os fiéis de outra Igreja não Católica. A sua simpatia correu o mundo. É campeão no twitter com 10 milhões de acessos, mais do que qualquer outro pop-star. Recebe por dia 2 mil cartas. Ajunta 100 mil pessoas na Praça de São Pedro na hora do Ângelus em plena quarta feira. Nas paróquias, os padres revelam que aumentaram o número de confissões. Na Polônia, aumentaram o número de candidatos ao sacerdócio. Na Rússia, 71% da população gostaria que ele fosse a Moscou. 91,5% dos seminaristas do Instituto Toniolo se confessam maravilhados por ele. 81% acreditam que, com ele, é possível haver coerência moral entre o que a Igreja fala e pratica. Não ataca os inimigos, não se irrita com quem pensa diferentemente, mas recebe a todos com alma e coração. É um grande homem de Paz. De forma bonita, o jornalista espanhol e correspondente do jornal El Pais no Brasil, afirmou que “o Papa está vivendo como nos tempos de Cristo”. “Conheci, disse ele, sete Papas, mas nenhum como este”. Por isso o classificou como um ciclone de simpatia. Este é o nosso Papa, um Papa que tem a alma franciscana e italiana de um Bergoglio e o espírito jesuítico empinado de um argentino. Que Deus o conserve por muitos anos para o bem da Igreja e para o bem do mundo. Ele não é um imperador, mas se apresenta como um simples padre e um bom pastor.
Chateações e horrores
Ler o jornal todos os dias é uma obrigação e uma necessidade. É por ele que o mundo chega a nossa casa e se espraia sobre nossa mesa. Mas convenhamos, ele é também uma fonte de chateações, irritações e uma bandeja de horrores. Vou dar apenas alguns exemplos para expressar meu desagrado.
CHATEAÇÕES: Assuntos que não andam e se repetem implacavelmente: a Presidenta faz juras de respeito à religião e passa a defender uma agenda ambiental, com sustentabilidade e tudo; o Serra diz que não é candidato à Presidência em 2014, mas diz estar pronto para o que der e vier; Lula fala sobre tudo e dá aulas a todos; brigas e discussões disparatadas sobre o direito de publicar ou não biografias de pessoas públicas com ou sem a autorização dos biografados; acordos e desacordos dos Partidos e Políticos em apoiar este ou aquele candidato à Presidência em 2014; jogadores de futebol afirmando humildade antes do jogo e, derrotados, confessando que saem de campo de cabeça erguida; os vitoriosos, mesmo escondendo malmente sua arrogância, delegam ao time a importância da vitória e lhe dão os parabéns. Quanto espaço inútil ocupado nos jornais por protagonistas chatos e medíocres!
HORRORES: O líder republicano e Presidente da Câmara, nos USA, confessa ter medo de parecer pouco conservador; países duma Europa civilizada pouco se lixando com a sorte dos imigrantes que morrem afogados em suas praias; Black Blocs quebrando, sem critérios, o que encontram pela frente, apenas para satisfazer seus instintos de vandalismo; os países que mais poluem (USA e China) causando 230 mil mortos por ano por câncer no pulmão de seus concidadãos; as incansáveis e repetidas investidas do Pastor e Deputado Federal Marco Feliciano contra gays, lésbicas, beijos impróprios e casamentos entre homossexuais. A lista dos horrores não para por aí. Mas que dinheiro malbaratado com jornais que dão tanto espaço a assuntos tão chatos e horripilantes! Um bom sorvete ou um saquinho de pipoca teriam um destino mais apropriado para os trocados gastos com jornais. Uma inevitável pergunta: O que você aprende lendo jornal, recebendo todos os dias uma enxurrada de notícias maçantes e estímulos superficiais? Dir-me-ás: assim é a nossa sociedade. Pode ser verdade, mas a pouca criatividade dos jornais tem o seu peso. É fácil repercutir o que pensam os moradores dos Jardins Paulistas e da Zona Sul do Rio. Difícil seria dar espaço para os urgentes e graves problemas de Sapopemba (São Paulo) e para a Baixada Fluminense. Mas, para estes locais, nossos jornais não têm olhos e pouco interesse.
*Frei Neylor, irmão menor e pecador
