Cidade das Crianças, cidade abandonada
Há dois anos estive na Cidade das Crianças, localizada em Santa Cruz, e fiquei tão orgulhoso e empolgado que tive a sensação de que poderíamos transformar o local num parque de lazer e diversão para criança e adolescentes, que nada ficasse a dever aos parques da Disney.
Crianças pobres ocupavam aquele espaço de domingo a domingo com atividades de teatro, oficinas de lazer, aulas de natação, salas de arte, a Recicloteca, o Cine Pipoca — eventos temáticos os mais diversos, sempre com direcionamento educativo para a convivência respeitosa com as pessoas e com a Natureza.
A professora Bia e sua equipe estavam presentes em todas as atividades, como se fossem um ser onipresente. Tudo funcionava com a exuberância e dedicação daqueles educadores que acreditam no investimento nas crianças.
Hoje quem passar na Rio–Santos e olhar à direita verá uma grande área abandonada, quase tomada pelo matagal. A piscina, antes cheia de gente, sem tratamento virou um criadouro do mosquito da dengue, onde só escapa a excelência do Planetário, um dos melhores da América Latina.
Administrada pela Secretaria de Educação, recebe hoje uma verba três vezes superior à que recebia a Secretaria de Esporte e Lazer, e em total abandono. O local é excelente e tem um potencial para se transformar num parque de lazer igual que nem os melhores parques de Orlando. Se estivesse localizado na Zona Sul, certamente já o seria. Serve este alerta para que eventuais deslizes sejam corrigidos em favor da comunidade tão carente e, sobretudo, para maior respeito aos direitos das crianças e adolescentes.
*Siro Darlan, desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, é membro da Associação Juízes para a Democracia
