Como entender as razões? 

Por Tarcisio Padilha Junior 

Como entender as razões do crescimento da exigência de valores no mundo econômico nos dias de hoje?

Deixando de lado as origens históricas do fenômeno, é possível ligar a exigência de valores a alguns fatores. O primeiro fator, e o mais envolvente, é a sucessão de catástrofes e perigos que acelerou a tomada de consciência relativa à preservação do ser humano e de seu meio ambiente. Houve repercussão mundial da catástrofe da tsunami, seguida do acidente nuclear na usina de Fukushima, no Japão.

O segundo fator decorre das múltiplas consequências do desenvolvimento de operações financeiras cada vez mais sofisticadas num mercado desregulamentado que resultou, em 2008, na mais grave crise financeira desde a Grande Depressão, em 1929. O inevitável ajuste, ainda em curso, inclui um melhor controle e maior transparência, mas também a imposição de novas regras de boa conduta profissional (inclusive para a direção do FMI, ocupada hoje em dia, pela primeira vez, por uma mulher).

O terceiro fator é a ascensão do referencial ético no universo empresarial, com o objetivo de ganhar fatias de mercado por meio de novas políticas de comunicação e de produtos. O crescimento dos mercados verdes e dos produtos partilhados (para cada produto comprado é destinada uma soma a uma causa humanitária) funciona como instrumento de marketing, vetor de relações públicas, visando ao reforço de imagem da empresa e da construção de seu capital de marca.

Deve-se, ainda, considerar a necessidade de promoção da cultura empresarial. Durante muito tempo acreditou-se que o sucesso econômico dependia exclusivamente de uma administração tecnocrática, o modelo tailoriano. As novas condições de concorrência, a informatização do trabalho, os gastos com burocracia, a exigência de produção diversificada, todos esses fatores conjugaram-se para promover os recursos humanos como a primeira condição de produtividade de uma empresa.

É a época é do risco zero. O acidente tornou-se um escândalo, um crime. Em sociedades onde não existem grandes ideologias políticas, um número crescente de indivíduos tende a afirmar-se por meio do consumo de produtos que exprimem escolhas sociais, valores, uma identidade individual e opcional.

Diante do mundo instável da política e do poder desenfreado do dinheiro, o primado da lei e os princípios gerais de vida em sociedade aparecem hoje como garantia à demanda coletiva por segurança.

* Engenheiro