Benefícios do Projeto de Irrigação Olmos 

Por Humberto Viana Guimarães

O maior indicativo da importância do Projeto de Irrigação e Hidroenergético Olmos, no estado de Lambayeque, Peru, foi o resultado do primeiro leilão das terras a serem irrigadas com parte das águas do Rio Huancabamba (a outra parte – a vazão ecológica – corre em seu leito normal), realizado no dia 9 de dezembro de 2011, quando 10 empresas arremataram 19.900 hectares por um valor total de US$ 102 milhões. Tal fato é um marco histórico, pois representa uma média de US$ 5.125,63 por hectare, 20% acima do preço base, o que permitiu leiloar 65% dos 51 lotes e 53% das 38 mil hectares (fonte: www.h2olmos.com).

Não resta a menor dúvida de que os excelentes resultados alcançados no primeiro leilão são um claro indicativo da transformação e evolução do agronegócio e, muito importante, a confiança dos investidores na região e no país. Afinal, nenhum grande investidor iria colocar seus milhões de dólares em uma região árida e escassa de chuva (máximo de 100 mm/ano), não obstante ser extremamente fértil, se não tivesse a garantia firme e valiosa por parte da Concessionária H2Olmos S.A do fornecimento contínuo e suficiente da água para irrigação dos seus cultivares.

E essa garantia só foi possível a partir da construção da barragem Limón, que acumulará parte das águas do Rio Huancabamba, na vertente do Atlântico, e que, através do fenomenal Túnel Transandino, com extensão de 20 quilômetros sob a Cordilheira dos Andes, cujo breakthrough (BT) foi realizado em 20/12/11, conduzirá o precioso líquido até as áreas planas a serem irrigadas na vertente do Pacífico.

Com o Projeto de Irrigação Olmos haverá a ampliação da fronteira agrícola e um tremendo salto do agronegócio na região de Lambayeque, que colocará o Peru entre um grande player neste setor, graças à existência de boas rodovias e à proximidade de portos. Uma coisa é certa: a história da região será contada antes e depois da implantação do Projeto Olmos.

Estima-se que as empresas, que se instalarão, poderão gerar algo em torno de US$ 130 milhões em impostos diretos nos próximos 25 anos, além de que o potencial de exportação passará de 1 bilhão de dólares. Soma-se a isso, e a meu ver o que é mais importante, a geração de emprego, que será da ordem de 100 mil oportunidades diretas, o que pode, em médio prazo, entre indiretos e outros participantes da cadeia produtiva passar de 1 milhão.

É um dado importantíssimo, tendo em vista que o país tem 30 milhões de habitantes, ou seja, somente a região de Lambayeque poderá gerar oportunidades de empregos da ordem de 3% da população total do país. É um número respeitável.

A concessionária H2Olmos S.A é uma empresa de propósito especifico do Grupo Odebrecht constituída em 2009 e que assinou o Contrato de Concessão para o projeto, financiamento, construção, operação e manutenção do Projeto de Irrigação Olmos com o Estado peruano e atua através do Governo Regional do Departamento de Lambayeque desde 11 de junho de 2010, por um prazo de 25 anos.

A convocação para o segundo leilão de Olmos foi no dia 09/01/2012, conforme acordado entre o governo regional de Lambayeque e a concessionária H2Olmos S.A., respondendo ao interesse manifestado por diversas empresas que não puderam participar do primeiro leilão, o que abrangerá 18.570 hectares. O leilão será realizado no dia 09/03/2012 e, seguramente, terá o mesmo sucesso do primeiro, pois é uma excelente oportunidade de negócio.

Ademais, é digno de nota que no contrato de concessão está previsto que 5.500 hectares do Valle Viejo – de proprietários particulares (e que não estão no escopo dos leilões) – também serão beneficiados com as obras de irrigação, visto que desse total, atualmente, mais de 80% contam com abastecimento de água.

Juan Andrés Marsano, diretor de Investimentos da Odebrecht Perú, expressou a grande importância do empreendimento para o futuro do país: “O primeiro leilão das terras do Projeto de Irrigação Olmos foi um marco na história do agronegócio do Peru, com a implantação de novas indústrias e incremento das exportações agrícolas. O segundo leilão redefinirá o desenvolvimento de projetos de irrigação para a ampliação da fronteira agrícola através da intensa e ativa participação de capitais privados”.

Humberto Viana Guimarães, engenheiro civil e consultor, é formado pela Fundação Mineira de Educação e Cultura, com especialização em materiais explosivos, estruturas de concreto, geração de energia e saneamento