Explosão de dor
O chamado país do futuro nunca esteve tão bem no cenário internacional. Os efeitos da “Era Lula” foram inegavelmente positivos, projetando o país mundo afora. Outro fruto dessa política bem sucedida foi o direito de sediar os dois maiores eventos esportivos do planeta, colocando o Brasil num patamar de destaque. Mas, infelizmente, tudo isso não reflete a realidade caótica das grandes cidades, como o Rio, que passa por problemas que o torna, literalmente, uma bomba relógio.
Perdemos a conta de quantos bueiros explodiram. Problemas recorrentes e que já careciam de uma definição. Como se não bastasse, a recente tragédia do restaurante que foi pelos ares, matando três trabalhadores e ferindo tantos outros, nos trouxe um sentimento ainda maior de insegurança, pois são inúmeros os estabelecimentos similares que não se sabe as condições com as quais funcionam. Por tudo que se revelou desse episódio não fica difícil imaginar o tamanho do perigo que corremos.
E é assim em nossos hospitais, nossas escolas e até em nossos hotéis de luxo, flagrados com diversos produtos fora da validade. Uma vergonha.
Num país dominado pela corrupção, pior câncer que uma sociedade pode ter, a precária fiscalização é outro mal bem nocivo, pois praticamente inexiste, e quando há em muitos casos se rende ao suborno.
Assim, o país da Copa e da Olimpíada é o mesmo que abandona o seu cidadão à própria sorte em necessidades básicas, como saneamento, hospitais, escolas, nas ruas e em quase tudo. As mesmas autoridades que “vendem” a melhor imagem são as que insistem em ser omissas, ainda que isso signifique perdas de vidas e sofrimento do povo.
* Marcos Espínola é advogado criminalista.
