Quando dois não querem é aquele abraço

Por Villss-Bôas Corrêa

        Se quando um não quer dois não brigam, quando dois não querem é aquele abraço. As futricas que tentam insinuar que asrelações entre a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula estão por um fio por causa da demissão de Alfredo Nascimento do cargo de ministro dos Transportes não tem  nem cabeça.

        Antes de mais nadaalém da família e do círculo de amigos poucos sabem da existência do ex-ministro Alfredo Nascimento. Oque é o de menosLula poderia ter  a sua amizade pelo ex-ministro que acaba de ser defenestrado pela presidente Dilma. Mas é amais improvável das hipótesesLula está em outra. É muito distante o seu interesse por um retorno à Presidênciarico e faturandomilhões pelas palestras nos quatro cantos do mundo.

        Lula e Dilma trocam vários telefonemas por dia, almoçam juntos uma vez por semana, conversam pelo telefone a toda hora.Além do que seria uma precipitação, que não deixaria nenhum dos dois em situação confortável. Dilma é candidata à reeleição,como todos os próximos presidentes, enquanto a Constituição não for emendada. Nenhum candidato a um bis teria abandonado a militância política para enriquecer fazendo palestras pelo mundo.

       E a crise que  esmurra a portacom a disparada da inflação, a onda de dementada violência que ensanguenta o noticiáriopolicial de todos os diascarimbaria de insensato o candidato que se exponha com tal precipitação. 

        O atual Congresso não tem expressão política nem lideranças para a análise da crise e a busca de soluçãoEm um Parlamentode não tão ilustres desconhecidosque se escondem no anonimato.

        E a violência explode por todos os cantos nas denúncias diárias de espancamento e morte de mulheres, sejam esposas,amantes ou parceiras de uma noite.

        Um candidato a mandato no Executivo, de prefeito de grandes municípiosestados e muito mais governador e presidente daRepública deve calar o bico e enfiar a máscara da cara de paisagem. E esperar pela próxima rodada, a da reeleição.

        O ex-ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, do PR, não tem biografianem partido ou votos para disputar aPresidência. A precipitação do seu lançamento é o carimbo da imaturidade.  Deve sair de mansinho, antes que sejam apuradas asdenúncias da revista Veja sobre a cobrança de propinas a empreiteiros em contratos executados por empresas ligadas à sua pasta.

      Não precisa correr. A presidente Dilma  se antecipou e assinou a sua demissão, depois que O Globo revelou que a empresade Gustavo de Morais  Pereirafilho do ministro, tivera um crescimento de 86.500%, com seu patrimônio saltando de R$ 60 milpara R$ 52 milhões em menos de três.

        O ex-ministro choramingou. E o PR se calou com o aviso da presidente Dilma de que a vaga no Ministério dos Transportesseria preenchida com um nome do PR.