O espaço privilegiado

Por Tarcisio Padilha Junior*

        A família constitui o espaço privilegiado no qual nascem e crescem as atitudes fundamentais, limita e cobre o espaço afetivo fundamental dentro de uma sociedade. É, pois, mais do que compreensível que haja hoje um interesse primordial pela conservação e pela defesa desse núcleo primeiro de relações. Por suas implicações afetivas, o núcleo familiar se torna o instrumento mais eficaz para a transmissão dos valores, critérios e convenções que se imprimem em cada indivíduo e dos quais ele se faz por sua vez transmissor.

        Os laços familiares são considerados por Cristo modelo e referência reveladora do que deva ser a família comunitária. Assim se desenvolveu toda a primitiva fé da Igreja, cuja vida, no começo do século II, se desenvolveu essencialmente a partir da vitalidade dos pequenos grupos num ambiente de participação ativa.

        O Espírito, fonte de liberdade, nos abre ao reconhecimento do outro dentro da própria comunidade. A comunidade deve proporcionar o aprofundamento e o desenvolvimento da comunicação interpessoal entre os seus membros; põe em andamento elementos de progresso e amadurecimento; precisa contar com a avaliação da rede de inter-relações existentes.

        Dentre os meios de participação efetiva, a dimensão celebrativa ocupa um lugar primordial na manutenção e no desenvolvimento de uma comunidade cristã. A celebração contém a possibilidade de que, com base no real, a comunidade possa incorporar na experiência o caráter necessariamente utópico de sua crença.

        É na experiência mística que se encontra o impulso para o projeto utópico de transformação da realidade. Utopia que, alimentada em suas raízes mais profundas pelo imaginário, ultrapassa, não obstante, esse nível, dirigindo-se para uma abertura lúcida às condições presentes na realidade.

* Engenheiro