Endividamento fácil
Inegáveis os avanços proporcionados pelo Plano Real implantado na economia bra-sileira, a partir de 94, pois o aumento do poder aquisitivo se fez presente daquela década até os dias atuais.
Os impulsos surgidos com a nova moeda propiciaram novos empregos e nova classe que estão migrando das classes inferiores “D e E”, beneficiadas estas últimas pelo desen-volvimento econômico-social do Brasil.
Infelizmente, esses ganhos ainda não refletiram nos hábitos do cidadão-contribuinte-eleitor (royalties para o Hélio Fernandes, da saudosa Tribuna da Imprensa), de poupar o quanto possível e gastar menos para garantir um futuro mais promissor.
Ao contrário, hoje em dia, o que se vê é uma gastança sem freio. Grande parte da população mete o pé no acelerador dos cartões de crédito, consumindo mais do que pode e, consequentemente, aumentando a lista de inadimplência e de endividados.
O SPC - Serviço de Proteção ao Crédito tem um volume bem grande de registro de devedores, que ficam pendurados no negativo.
Esta realidade no entanto, confronta com a real situação do País. Os que têm mais de 20 anos devem lembrar-se de como era difícil o acesso aos bens de consumo em déca-das passadas.
No início de 94, a inflação anual brasileira, se bem lembro-me, alcançava patamares de quase 5000%. Vocês se lembram dessa triste situação?
O caos da inflação criava um gargalo para o desenvolvimento econômico do País e, consequentemente, restringia o acesso aos bens de consumo, principalmente para o Zé Povinho.
O planejamento futuro para as famílias impedia que muitas famílias tivessem as faci-lidades para adquirir os produtos de primeira necessidade.
Em boa e oportuna medida, surgiu o Plano Real, de autoria do então presidente – Itamar Franco. A moeda foi uma das coisas maravilhosas dessas últimas décadas, justiça se faz, oportunizando o início da estabilidade econômico-financeira, no tempo e no espaço.
No governo Lula, entretanto, que se verificou o quanto foi acertada a moeda para o País, pois esta trouxe benefícios, diríamos de toda ordem.
O que ainda preocupa sobremaneira é a taxa de juro que está em alta, sobre a qual sempre se manifestava o saudoso ex-vice-presidente da República, José Alencar.
Verifica-se que, por mais que a economia ainda tenha que avançar inexoravelmente, o que falta, acima de tudo, é a consciência do brasileiro para converter os benefícios do êxito da moeda em resultados práticos, positivos e duradouros, para que o Programa de Aceleração do Crescimento da vida deem certo o quanto antes.
Acredito que não teremos mais abalos e abismo da inflação, embora ela, de quando em vez, faça-nos uma visita indesejável, em face do que o mercado e consumo nos aprontam, de acordo com a demanda.
Com Lula e após ele, com a presidenta Dilma Rousseff, teremos um imenso caminho pela frente para conter a alta dos juros e a desarmonia inflacionária que precisa ser mar- cada por todos, pois não é tarefa tão somente da presidenta, frise-se.
* Advogado/Jornalista, diretor de Administração e Finanças do Movimento de Preservação Ferroviária, Membro Efetivo da Academia Ferroviária de Letras-AFL. Conselheiro da AENFER, do Colégio São Martinho, e do CR Flamengo.
