Políticos do bem
A sociedade, muita gente da mídia inclusive, mesmo que inconscientemente, anda criando um clima de rejeição à classe política. Não vislumbram que, dessa forma, enfraquecem o regime democrático que hoje é uma unanimidade nos povos civilizados. Não nos parece positivo colocar todos os que se dedicam à vida pública no mesmo saco, encarando algumas questões sob uma ótica estreita e ao sabor de opiniões mal formadas. A própria questão das pensões de ex-presidentes e ex-governadores não vem sendo devidamente abordada. A maioria desconhece que a necessidade de se proteger antigos mandatários surgiu quando o presidente Café Filho, após deixar o governo, se viu em situação financeira constrangedora. Carlos Lacerda, quando governador do então Estado da Guanabara, para salvar o ex-presidente da situação incompatível com sua carreira e o cargo maior que ocupou, o nomeou para o Tribunal de Contas do Estado, garantindo-lhe o emprego e a aposentadoria. A pensão é válida, desde que não cumulativa com outras aposentadorias, paga apenas após os 55 anos de idade e suspensa quando o beneficiário voltar a exercer função pública, inclusive, cargo eletivo. Esta nos parece a forma correta de encarar a questão. Um parlamentar de dez mandatos, no limiar dos 70 anos, por exemplo, é derrotado e fica sem ter do que viver. A pensão parlamentar, proporcional aos mandatos exercidos também se justifica, desde que não cumulativa, é bom salientar. A maioria dos políticos – ainda bem! – é composta de homens corretos, que não tiram proveito financeiro ou patrimonial dos cargos exercidos. Logo, retirar a questão da acumulação, restringir no caso de governadores pelo menos dois anos do exercício da função e do presidente um ano, pode ser uma saída intermediária e justa. Nessa corrida por cargos que manipulam recursos, em que a falta de decoro é evidente, os atores são conhecidos e não representam os idealistas que justificam o exercício democrático e a importância do voto. Mas, em contrapartida, temos muitos políticos de atuação positiva e, neste momento mesmo, temos uma boa qualidade ética e operacional na gestão de unidades da Federação da importância do Rio e de Minas Gerais, por exemplo. A presidente Dilma Rousseff vem surpreendendo até mesmo a parcela do eleitorado que votou no candidato da oposição. O dever de todos é a vigilância, a apuração das denúncias publicadas, a continuidade das investigações, combatendo-se a impunidade. Esta, sim, incentivadora da sucessão de escândalos e da ousadia dos atores envolvidos, quase sempre os mesmos e já conhecidos. É preciso combater a cultura do criticar por criticar, do condenar sem conhecer. E, principalmente, da ausência do reconhecimento dos que acertam, dos que agem com competência e espírito público. * Jornalista
