Lula deve abrir o olho para não perder seu prestígio

Por Editorial

o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou o cargo com uma aprovação de mais de 80%, a maior entre todos os presidentes desde 1994, quando o levantamento começou a ser feito nos moldes de como é hoje. A história política, porém, é dinâmica, assim como acontece no futebol, campo de metáforas preferido por Lula para sacramentar sua comunicação direta e fácil com o povo.

São muitos os casos de ocupantes de cargos executivos que foram do céu ao inferno em pouco tempo, da mesma forma que craques aplaudidos no dia em que seu time vence são apedrejados na primeira derrota. No poder, Lula capitalizou todas as possibilidades que teve de tratar bem seu eleitorado. No entanto, agora, fora dele, deve se policiar e muito, talvez mais do que  nos últimos oito anos.

A primeira casca de banana pós-mandato surgiu ontem, com a denúncia de que, dois dias antes da entrega da faixa a Dilma Rousseff, os filhos de Lula Luiz Claudio e Marcos Claudio foram brindados pelo Itamaraty com a renovação de seus passaportes diplomáticos. Assim, pelos próximos quatro anos, os dois poderão viajar pelo mundo com facilidades – e talvez até honras de chancelaria.

Lula deve abrir o olho. Episódios como esse  arranham o prestígio conquistado – com justiça, diga-se – em seus dois governos. Porque o brasileiro é conhecido por sua memória curta, e há muita gente vigiando os passos do agora ex-presidente, ávida por um escorregão que o tire do pedestal.