O desenvolvimento e os desafios do Rio

Não há investimentos que cheguem enquanto a educação for relegada a segundo plano

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O ano de 2011 chega anunciando o início de um ciclo virtuoso para o Rio de Janeiro. Segundo cálculos da Federação das Indústrias do estado e do governo estadual, os investimentos nos próximos cinco anos somam R$ 155 bilhões, a maior parte deles nos setores de petróleo e gás. Em grande parte graças à Copa do Mundo e à Olimpíada, os fluminenses têm a chance de ver sua qualidade de vida dar um salto.

Caso não venha a perder uma fração considerável dos recursos decorrentes dos royalties do petróleo, o Rio poderá  tornar-se, até 2016, uma espécie de eldorado brasileiro, um lugar que une belezas naturais e oportunidades de negócios e  empregos.

É necessário, porém, dar prioridade à área de transportes, e não apenas para os eventos esportivos. Nenhum esforço de modernização e incremento da economia se sustenta sem uma malha viária em boas condições, conduções públicas eficientes e um sistema aeroportuário capaz de dar vazão ao aumento do tráfego. No Rio, em particular, o metrô e os trens  estão ainda muito longe do ideal, e as reformas nos aeroportos precisam andar mais rápido. 

No esteio dessa avalanche de recursos, vêm também as transformações na triste realidade dos territórios ocupados pela marginalidade. Com a política das Unidades de Polícia Pacificadoras, 16 favelas já estão livres dos traficantes armados, e seus moradores experimentam agora uma vida dentro da legalidade. Evidentemente, ainda há quase mil comunidades a ocupar e resgatar, mas o processo foi iniciado.

Paralelamente ao desenvolvimento que se anuncia, o Rio, no entanto, tem outro desafio, este tão ou mais fundamental que aquele: a educação. O estado amarga uma vergonhosa colocação no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), em que figura no penúltimo lugar, ao lado de Alagoas, Amapá e Rio Grande do Norte. Tem, assim, o novo secretário estadual de Educação, Wilson Risolia, uma missão importantíssima, assim como seus pares na esfera municipal, já que não há aporte de recursos que salve um povo que não cultiva o saber.