Cidade de Deus segue com clima de tensão nesta segunda-feira

Polícia segue ocupando a comunidade após confrontos do último final de semana

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O último final de semana foi tenso para os moradores da Cidade de Deus, na Zona Oeste do Rio. Uma mega operação da Polícia Militar resultou em intensa troca de tiros entre policiais e chefes do tráfico na comunidade. Na noite de sábado, um helicóptero da PM caiu, e fez com que a polícia decidisse ocupar a Cidade de Deus por tempo indeterminado. Após os confrontos, moradores encontraram os corpos de sete jovens na mata, todos eles com marcas de perfuração por tiros. Os moradores suspeitam de execução por parte da Polícia Militar.

Na manhã desta segunda-feira (21), a operação seguia ativa e contava com unidades do Comando de Operações Especiais (COE), do Batalhão de Operações Especiais (Bope), Batalhão de Choque (BPChq), dos batalhões do 2° Comando de Policiamento da Área e do Grupamento Aeromóvel (DAM). Até o momento, foram feitas sete prisões, e foram apreendidos 1136 trouxas de maconha, 22 pedras de crack, um quilo de cocaína, além de 132 sacolés com a mesma droga.

Devido aos confrontos e a operação, 5296  alunos de 12 escolas, quatro creches e quatro Espaços de Desenvolvimento Infantil (EDIs) estão sem aulas. Na região da Gardênia, próximo à entrada da Cidade de Deus, duas escolas, uma creche e dois EDIs, que fazem o atendimento de 1762 alunos estão de portas fechadas. De acordo com a secretaria de Educação, todo o prejuízo ao ensino dos alunos será reposto.

Entenda os confrontos que estão ocorrendo na Cidade de Deus

Jovens

Embora a PM não tenha confirmado, relatos de moradores da Cidade de Deus dão conta, através das redes sociais, que ocorreram tiroteios esporádicos durante toda a madrugada de hoje. No final de semana, moradores encontraram nas matas da comunidade os corpos de sete jovens, que teriam sido mortos em consequência dos confrontos ocorridos com a PM. Moradores, no entanto, sustentam que os jovens foram executados.

Helicóptero

Os policiais que morreram na queda do helicóptero foram enterrados com honras militares ainda neste domingo (20), com salvas de tiros. O governador do estado, Luiz Fernando Pezão,  decretou luto oficial de três dias pela morte dos policiais.

As causas da queda do helicóptero, que inicialmente acreditava-se ter sido abatido pelos traficantes, durante a troca de tiros, ainda não foram esclarecidas, uma vez que perícia preliminar feita na aeronave e nos corpos dos PMs mortos não encontrou marcas de tiro.

O próprio secretário estadual de Segurança do estado, Roberto Sá, considerou cedo para descartar qualquer hipótese sobre as causas da queda da aeronave, uma vez que perícia mais detalhada ainda está sendo feita, tanto por parte da Delegacia de Homicídio como pela Aeronáutica. O secretário informou, no entanto, que a própria PM havia garantido que a manutenção da aeronave estava em dia.

As informações indicam que a Polícia Militar vai permanecer por tempo indeterminado na Cidade de Deus, que segue com a segurança reforçada e barreiras policiais em todos os acessos. No entanto, o dia de hoje amanheceu com várias barricadas em ruas da Cidade de Deus, inclusive com pneus queimados, impedindo a livre circulação de veículos e dificultando a ação da polícia.

Força Nacional

Atendendo à solicitação da Agência Brasil, o Ministério da Justiça informou que o ministro Alexandre de Moraes continua acompanhando os fatos ocorridos no Rio de Janeiro. Segundo o ministério, desde ontem (20), o ministro “vem mantendo contato direto e constante com o Secretário de Segurança Publica do Rio de Janeiro e que também colocou à disposição do governo local o efetivo da Força Nacional, que está na cidade desde os Jogos Olímpicos Rio 2016, para prestar apoio na segurança pública na Cidade de Deus”.

*Com Agência Brasil