VLT é aberto ao público no domingo em clima de incertezas
População se queixa de falta de informações e se preocupa com a segurança
O tão aguardo VLT vai ser inaugurado neste domingo (5), no Centro do Rio de Janeiro, em clima de apreensão e muitas dúvidas entre os cariocas, e mesmo contra as recomendações do Ministério Público, que avalia que a sinalização instalada é inadequada e oferece riscos a pedestres, usuários e motoristas.
“Não sei quanto vai custar a passagem, só sei de onde vem e para onde vai porque passa o tempo todo aqui, não por divulgação“, disse Tais Frade, de 22 anos, vendedora de loja. O pipoqueiro Carlos Antonio Oliveira, de 51 anos, endossa essa afirmação e ainda acrescenta o perigo que o novo veículo trás: “VLT é silencioso e botaram muito pouca fiscalização. Não vai dar certo, vai ter muito acidente. E não falaram nada, não explicaram nada, ninguém sabe de nada. Não vi ninguém distribuindo panfleto.”
Contudo, há pessoas curiosas e com a expectativa elevada com o novo modal instalado na cidade. É o caso da advogada Ruth de Souza, de 56 anos: “Vai ser útil, vai ser melhor. Vai facilitar o trânsito. Nesse momento, está prejudicando porque o ônibus que pego, por exemplo, mudou de lugar, mas é provisório”, avaliou. Ela não poupou elogios quando se trata do trajeto: “Leva para a Rodoviária e o Aeroporto Santos Dumont, locais muito engarrafados e que não têm opção, só um ônibus caro. Agora, tem esse VLT.”
A inauguração completa do projeto será feita de forma progressiva e em etapas. Nessa primeira fase, vai ser aberto ao público somente o trecho Rodoviária Novo Rio – Aeroporto Santos Dumont, isso para que o convívio entre pedestres, VLT e carros ocorra de forma segura e pacífica.
O veículo transportará passageiros de segunda a sexta-feira, das 12h às 15h, sem cobrança e com a presença de agentes da concessionária para acompanhar e ajudar na adaptação da população, que vai levar algum tempo.
Jornaleiros reclamam
Muitos jornaleiros se queixaram pelo fato de terem tido suas bancas removidas da Avenida Rio Branco para que a via do veículo leve sobre trilhos fosse construída.
Transferidos para outros locais sem nenhuma ajuda de custo e, em alguns casos, pegos de surpresa, os jornaleiros criticaram o novo transporte. Francisco, de 61 anos, possuía uma banca na Rio Branco que foi removida, por conta da obra no VLT, e transferida para Avenida Almirante Barroso. “Estou revoltado com o VLT, tiraram meu trabalho. Estava na Rio Branco, me tiraram de lá e botaram pra cá, na Almirante Barroso. E (o trem) ainda vai matar muita gente porque é silencioso, tinha que ter botado guarda fiscalizando. Foi mal organizado."
Além dele, outros jornaleiros estão se mudando e tendo que custear pintura, obra, reboque e novos contratos de luz. “A banca está aqui porque eu briguei para ela ficar aqui. Queriam tirá-la. Era na Rio Branco 53, mas saiu por conta do VLT. E ainda recebi um comunicado para pintar a banca. Tem outros que foram realocados para local sem luz, sem estrutura. E aí, mais custo”, reclamou um jornaleiro que preferiu não ser identificado. A reportagem percorreu a Rio Branco e encontrou casos de jornaleiros que se encontram na mesma situação.
Questionada pelo Jornal do Brasil, a prefeitura alegou que todas as bancas realocadas por conta do VLT terão sua nova instalação feita pela Concessionária do VLT Carioca. Os jornaleiros negam que tenham sido contactados pelo poder público para alguma ajuda de custo.
