RJ: Após manifestações históricas, MPL volta às ruas contra reajuste de passagem

Ativistas consideram justificativa da prefeitura para o aumento uma "chantagem pública"

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O cenário brasileiro sofreu mudanças no último ano, mas a memória das manifestações de julho de 2013 não foi apagada e pode reacender os ânimos dos cariocas e incentivá-los a participar dos atos organizados pelos movimentos sociais para os próximos dias, contra o aumento das passagens dos ônibus no Rio de Janeiro. O prognóstico foi traçado por José Abrahão, um dos integrantes do Movimento Passe Livre no Rio (MPL-RJ), que está promovendo pelas redes sociais um ato público contra o reajuste para a próxima sexta-feira (9/1), no Centro.

O MPL-RJ estima que mais de 10 mil pessoas devem participar do protesto, que terá como palco a Cinelândia. Nesta quarta-feira (7/1), mais de cinco mil internautas já haviam confirmado presença no perfil do Facebook do grupo. Segundo Abrahão, um evento preliminar realizado na última segunda-feira (5), reuniu quase mil pessoas.

"Quando as manifestações contra o aumento das tarifas começaram em julho de 2013, em São Paulo, apenas 100 pessoas estavam engajadas nas ruas. Foi uma mobilização ascendente, que tomou o país", comparou Abrahão. Para o militante, a população do Rio deve apoiar os atos que estão sendo organizados pelo fato de estar indignada com o aumento excessivo das tarifas dos coletivos. "É o maior aumento dos últimos 20 anos, de acordo com as estatísticas oficiais", destaca. 

Abrahão acredita que o reajuste autorizado pelo prefeito Eduardo Paes e que já está mexendo no bolso do carioca desde o último sábado (3), pode ser interpretado como um "contra-ataque" dos empresários para recuperar as perdas que tiveram no passado, durante as manifestações. "Mas as pessoas ainda lembram dos protestos, dos seus motivos e devem voltar às ruas agora", estima o integrando do MPL. Segundo Abrahão, o ato de sexta vai ter foco no relatório do Tribunal de Contas do Município, que considera o reajuste que eleva os valores das passagens para R$ 3,40 abusivo e estipula o valor de R$ 2,50. 

Quanto as justificativas da prefeitura para o aumento, alegando que os novos lucros serão empenhados nos coletivos com ar condicionado e na gratuidade os estudantes da rede pública municipal, Abrahão considera como uma "chantagem pública" para alimentar um círculo de aumento das tarifas. "A cada aumento eles [prefeitura e empresários] alegam uma necessidade, como por exemplo, o sucateamento dos ônibus, a gratuidade para os estudantes. Só que esses benefícios são direitos da população e obrigação do poder público, que tem que manter os serviços sem repassar para a população", disse. 

A passagem dos ônibus do município do Rio foi reajustada de R$ 3 para R$ 3,40 no último sábado (3). A medida levou o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) a instaurar uma ação civil coletiva no Tribunal de Justiça pedindo a anulação do aumento. No conteúdo da ação, o MP considera ilegal o reajuste de 13,3% das tarifas, porque ultrapassa os índices de inflação do período. Os ativistas querem uma redução para R$ 2,50, patamar recomendado em fevereiro do ano passado pelo Tribunal de Contas do Município. 

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Uma resolução publicada nesta terça-feira (6) no Diário Oficial do município, pela Secretaria Municipal de Transportes, R$ 0,058 de cada R$ 0,40 do reajuste serão destinados à compra de 1.525 ônibus com ar-condicionado, além dos 708 que deverão ser substituídos este ano, já que atingiram o limite de uso. 

Segundo o prefeito, R$ 0,131 dos R$ 0,40 do reajuste será empenhado no pagamento de gratuidade para estudantes da rede pública. Paes alegou que a Secretaria Municipal de Educação não pode repassar R$ 60 milhões para as concessionárias, em função de uma determinação do próprio Tribunal de Contas do Município.