Mudanças nos trens dificultam trajeto de usuários da SuperVia
Plataformas e trens lotados e lentidão nas viagens são as principais reclamações
Ainda na primeira semana de modificações nas linhas dos trens da SuperVia, os usuários do transporte sentem na pele os problemas de adaptação para o novo sistema. Desde segunda-feira (27), os trens dos ramais de Japeri, Santa Cruz e Deodoro passam por mudanças, na tentativa de diminuir o intervalo entre as estações.
No entanto, grande parte das reclamações dos usuários nas redes sociais mostra que o sistema ainda precisa de mais organização. Plataformas e trens lotados, intervalos entre os trens que não foram reduzidos como o prometido, trens antigos na hora do rush e lentidão durante a viagem dos trens expressos são apenas algumas das reclamações de quem pega o trem na concessionária.
Na noite desta terça-feira, segundo dia da mudança nos trajetos, Marcos Pompeu, ajudante de cozinha, reclamava da demora dos trens na plataforma de Santa Cruz. “O trem está chegando muito cheio. Pego trem às 10h, nesse horário parecia que era hora do rush e nessas horas, pela manhã, só colocam trem velho”, lamenta.
A copeira Diana de Santos Souza costuma pegar o trem em Santa Cruz para chegar ao Centro da Cidade. Segundo ela, a ida diária para o trabalho tem sido tranquila, mas a volta está complicada. “A espera está maior do que o prometido. Não consigo entrar nos trens lotados”, reclama.
O publicitário Gustavo Cortês, morador de Realengo, faz uso dos trens diariamente. Segundo ele, a ida para o Centro da Cidade, quando pega o trem parador é tranquila. O problema é a volta. "Parece que acabaram com as duas linhas - Campo Grande e Bangu - e simplesmente colocaram as pessoas para de Santa Cruz sem colocar mais trens neste ramal", afirma.
Administrador e criador da página, no Facebook e no Twitter, “SuperVia – Vergonha para o povo carioca”, Vitor Guimarães, aponta que, apesar das mudanças prometidas, o intervalo entre os trens continua o mesmo. “A SuperVia programou todo esse novo sistema com base no funcionamento das novas sinalizações”, explica. A consequência da demora se reflete nos trens lotados, o que dificulta o embarque dos passageiros nos trens expressos.
Sempre monitorando as reclamações nas redes sociais sobre o serviço prestado pela concessionária, Vitor tem percebido que a maioria das reclamações são sobre a super lotação das plataformas. “Nas estações de Madureira e Deodoro, os passageiros, tanto do expresso quanto do parador, estão enfrentando plataformas lotadas. A demora nos intervalos deixa os trens mais lotados ainda”, explica. Segundo ele, quem pega o trem em estações como a de Campo Grande consegue entrar nas composições sem maiores problemas.
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As reclamações vêm, principalmente, das estações de transferência como Deodoro, Madureira, Maracanã e Japeri, onde os trens expressos estão fazendo suas paradas. A diferença para os usuários é que agora somente nessas estações será possível pegar os trens expressos. Ou seja, é necessário fazer uma baldeação dos paradores para os expressos.
Ainda durante esta sexta-feira (31), as reclamações dos usuários da SuperVia nas redes sociais continuavam as mesmas. Na página da "SuperVia - Vergonha para o povo carioca", usuários reclamavam das plataformas e trens lotados.
Mudanças
As principais mudanças do novo sistema da SuperVia afetam os ramais de Japeri, na Baixada Fluminense, e Santa Cruz, na Zona Oeste, que agora passam a fazer rotas expressas. Segundo informações da concessionária, o objetivo é diminuir os intervalos entre esses ramais e a estação de Deodoro, que passariam a ter oito minutos de espera, mesmo fora do horário do rush.
Segundo a SuperVia, com as mudanças, as composições só vão parar nas estações de Madureira, Maracanã e Central, depois que passarem pela estação de Deodoro. Assim, o tempo será ainda mais reduzido entre as paradas, passando de oito minutos para quatro. Com a mudança, quem precisar descer nas outras estações, terá que fazer o trajeto através dos trens paradores.
Pelas previsões da concessionária, o número de viagens nestes ramais deve aumentar de 826 para 1065 por dia, refletindo também na quantidade de usuários. A disponibilidade de vagas nas composições passa de 1,7 milhão para 2,1 milhões, diariamente. Já os trens que operam no sistema parador, vão reduzir o tempo de viagem de 10 para seis minutos, nas outras estações dos ramais de Santa Cruz e Japeri.
Sobre os problemas enfrentado pelos passageiros durante a mudança do sistema, a SuperVia manifestou em nota que o novo sistema foi implantado "em caráter experimental". "As viagens expressas durante os dias úteis nos ramais Japeri e Santa Cruz e a operação do ramal Deodoro com intervalos de até seis minutos a fim de proporcionar mais rapidez e conforto no dia a dia do passageiro". A concessionária posicionou, desde o início da semana, equipes ao longo do sistema para acompanhar a operação e avaliar a opinião dos passageiros, identificando possíveis ajustes. Ainda segundo a nota, "os canais de relacionamento também realizam análises periódicas de satisfação"
"A concessionária e os passageiros estão se adaptando a uma prática comum em qualquer sistema metroferroviário, que consiste na transferência entre linhas e ramais. Com o ramal Deodoro operando com intervalos reduzidos, essa prática poderá ser realizada com mais eficiência".
Segundo informa a concessionária, os passageiros estão sendo informados sobre as mudanças por meio de equipes de orientadores que atuam em todas as estações dos três ramais, por cartazes e panfletos informativos, sistema de áudio das estações e canais digitais da SuperVia. "Além disso, durante essas primeiras semanas, a concessionária intensificou o trabalho das equipes dos programas 'Posso Ajudar?' e Jovens Aprendizes, que orientam os passageiros sobre as alterações nas estações."
