Especialista defende posicionamento de bancários contra independência do BC 

O terceiro dia de greve teve ato em frente ao BC e adesão no Centro e Campo Grande

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Nesta quinta-feira (2), que marca três dias de greve dos bancários, a categoria fez um ato público contra a autonomia do Banco Central, em frente ao prédio da instituição, no Centro. A região é a mais mobilizada, com todas as 250 agências e departamentos fechados desde terça-feira. Além disso, Campo Grande, bairro da Zona Oeste do Rio, também teve grande adesão, com todas as 35 agências paralisadas. 

O posicionamento da categoria frente ao BC faz especial oposição ao discurso de Marina Silva, que prega a independência do banco. Para o sociólogo e professor da Faculdade Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (Fespsp), Paulo Silvino Ribeiro, a independência do BC traria, de fato, consequências negativas para a categoria.   

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“O BC precisa ter certa autonomia, mas o papel regulador do Estado é fundamental porque do contrário, a sociedade fica mais refém dos interesses do capital, inclusive especificamente o trabalhador do banco. Quanto mais autonomia o BC tiver mais o trabalhador bancário poderá ser refém do sistema financeiro, que tem nos bancos os seus maiores representantes”, diz Paulo.

O Sindicato dos Bancários, através da sua assessoria de imprensa, resumiu dizendo que a independência do BC “representa mais poder na mão dos bancos”. Os dirigentes alertam ainda, que os movimentos sindicais defendem o controle social do sistema financeiro, com um conselho que tenha representantes da sociedade. Apesar desse alinhamento político com o governo Dilma Rousseff, a greve faz parte do calendário das negociações e não ocorreu em função das eleições, afirmam. 

A greve que se desenrola, por exemplo, segue como mais uma no ano de 2014, depois de vigilantes, garis, motoristas de ônibus e muitas outras categorias terem feito paralisações no Rio. Para Silvino, as greves e manifestações vêm sendo tratadas pelo governo de forma bem parecida. “Os partidos, sejam quais forem, não têm necessariamente dado respostas positivas para essas categorias que se mobilizam. Um dos exemplos é a questão colocada por Eduardo Jorge [candidato a presidência pelo Partido Verde] que questionou sobre a PEC da redução da jornada de trabalho. Nenhum dos representantes dos partidos que participam das eleições se esforçou para dar continuidade a essa proposta”, comenta ele.