1746: moradores se queixam da demora no atendimento dos pedidos

Usuários afirmam que serviço da Prefeitura deixa a desejar

Por Fernanda Távora *

Criado para ser um canal de diálogo entre o morador do Rio de Janeiro e a prefeitura da cidade, o 1746 - serviço de atendimento ao cidadão - não tem correspondido às expectativas, segundo boa parte dos usuários. A demora no cumprimento das solicitações é uma das principais reclamações.

Presidente da Associação de Moradores e Amigos de Botafogo (AMAB), na Zona Sul, Raquel Chiaradia reclama da demora no atendimento dos pedidos. “Há muitos casos de moradores que fazem reclamações que acabam sem solução. Eles costumam me passar os protocolos de atendimento para ver o que eu posso fazer, mas passam-se os dias e nada é resolvido.”

Raquel descreve os problemas que os moradores de Botafogo enfrentam, como a falta de poda de árvores e a falta de iluminação em alguns lugares, aumentando a insegurança. Segundo ela, as reclamações são feitas, mas a solução é demorada. “Essa demora sempre aconteceu, antes mesmo da criação do 1746. Depende muito da gestão atual da prefeitura, dos contatos que a associação faz com o prefeito”. Segundo Raquel, a associação costuma ver uma solução mais rápida pelo contato que tem com a subprefeitura da região, mas que o cidadão comum pena para conseguir o resultado previsto para os problemas nas ruas.  

Assim como Raquel, Luiz Bezerra, presidente da Associação de Moradores do Cantagalo, destaca a demora na resolução de problemas como buracos na ruas, calçadas ocupadas por entulho, entre outros. “Evito usar o 1746 porque não adianta. Eu já ligo direto para as secretarias em busca da solução dos problemas. A gente não usa por causa da grande espera para a resolução de um problema que poderia ser resolvido com mais rapidez”, reclama.

Já Horácio Magalhães, presidente da Sociedade Amigos de Copacabana, acrescenta que problemas que exigem um pronto atendimento não são resolvidos de imediato. “Tivemos um caso de estacionamento irregular recentemente, em frente ao Copacabana Palace. A quantidade de carros estacionados por causa de uma festa no hotel impedia as pessoas de usar a calçada”, conta Horácio. No entanto, segundo ele, a uma equipe da Secretaria de Ordem Pública (Seop), pedida pelo 1746 só chegou após a meia-noite, quando o evento já havia terminado.

Horácio conta ainda o caso de um buraco na calçada causado pela retirada de uma árvore. Segundo ele, o pedido para reparo já foi feito há mais de uma semana, e nada aconteceu até agora. 

Além disso, o presidente da associação destaca ainda confusões e erros no atendimento feito pelo 1746. “Recentemente pedimos o conserto de um “fradinho” (pino de concreto usado para coibir o estacionamento ilegal) em frente a uma loja na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, depois que um acidente de carro que aconteceu no local. Entramos em contato com o 1746 e fomos informados que a Comlurb havia feito a limpeza do local.”

Segundo Horácio, ele alertou que o problema era outro, e insistiu no pedido do conserto do “fradinho”. Em resposta, a Comlurb disse que aquela era uma atribuição da Seconserva (Secretária de Conservação do município), e que era preciso abrir um outro protocolo pelo 1746 para que o conserto fosse feito. “O que percebemos desse caso é que há uma falta de comunicação vinda de um atendimento que quer unificar todos os serviços em um só” afirma o presidente da associação. 

Cristina Lopes, moradora de Laranjeiras, é mais uma a sofrer com a demora na resolução de problemas. A calçada em frente ao seu prédio está com um enorme buraco desde maio deste ano e, apesar dos insistentes pedidos de reparo através do 1746, nada acontece. "Primeiro, encaminharam à solicitação à Comlurb, já que o buraco foi causado pela retirada de uma árvore. Nada foi resolvido. Há cerca dois meses encaminharam o pedido para a Secretaria de Conservação, e do mesmo jeito, nada acontece e nem me dão prazo para o conserto."

Reclamações ainda sem resposta

Moradora do Recreio dos Bandeirantes, a professora Elizabeth Santos usou o 1746 para fazer uma reclamação há cerca de um mês sobre linha 753, que faz o trajeto Recreio-Curicica e será extinguida neste final de semana. "A primeira vez que liguei para o 1746 foi justamente há mais ou menos um mês, quando soube que a linha 753 sairia de circulação. Há um protocolo e eles pedem cinco dias para uma resposta que não obtive até hoje", explicou

A professora explicou que, além dela, outros moradores fizeram a mesma solicitação e também não obtiveram resposta. "Não entendo uma atitude dessa de um governo sem uma pesquisa entre os cidadãos que utilizam o serviço. Não existe outra linha que nos leve à Freguesia. E muitos adolescentes daqui do Recreio estudam na Freguesia. Meus alunos também utilizam está linha. E eu para ir para o trabalho. Está foi uma das poucas que sobraram."

Elizabeth fez uma nova reclamação na sexta-feira (12), pelo 1746. Segundo ela, após a explicar a situação, mais uma vez foi pedido uma espera de cinco dias para a solução do problema. Após duas horas o serviço da prefeitura mandou para ela um torpedo com informações sobre a solicitação e o número do protocolo. 

"Entrei em contato de novo e a atendente me disse que esse torpedo era automático e que só queria dizer que minha solicitação tinha sido enviada ao setor responsável. Disse que eu teria que aguardar os cinco dias para um possível retorno. Expliquei que cinco dias ultrapassam o fim do prazo da circulação da linha 753 e que isto trará um transtorno muito grande aos moradores da região. Vários amigos e alunos já fizeram a mesma solicitação ao 1746. Espero realmente que sejamos levados a sério, já que o governo existe para atender bem a população", cobrou a professora.

Resposta

 A prefeitura do Rio de Janeiro implantou o serviço em 2011, que tem o custo de uma ligação local e pode variar de preço de acordo com a operadora, procura unificar todos os serviços da cidade em um único número. A Defesa Civil e a Guarda Municipal, ambos os serviços com números para ligações gratuitas (199 e 153), respectivamente, também podem ser solicitados pelo o 1746.

Em resposta às reclamações a assessoria do 1746 afirmou que cada serviço tem um prazo diferenciado, de acordo com a complexidade e/ou urgência de cada pedido e que "a notificação é imediata, uma vez que o atendimento conta com um sistema integrado com cada uma das secretarias e órgãos competentes". 

"O 1746 modificou a forma de o cidadão entrar em contato com a Prefeitura do Rio. Agora o carioca sabe a quem recorrer e tem acesso a uma central preparada para atendê-lo a qualquer hora do dia. Mas, apesar de sabermos que a central melhorou muito a comunicação e a prestação de serviços por parte do poder público municipal, com aprovação de 71% dos cariocas, temos como meta melhorar sempre. Estamos sempre analisando os números e as reclamações e estabelecendo metas para melhorar cada mais", afirmou a assessoria em resposta ao JB.

No site do atendimento (1746.rio.gov.br), um gráfico lista a remoção de entulho, a fiscalização de estacionamento irregular, remoção de lixo, reparo de postes apagados e controle de roedores, como os cinco serviços mais solicitados pelos usuários. Em 2013, foram mais de 3,3 milhões de solicitações recebidas. 

* do projeto de estágio do JB