'Vozes' quer expandir grupo de analistas e católicos para outros estados
Grupo católico é um dos legados da Jornada Mundial da Juventude
A interpretação de temáticas da vida cotidiana pelo ponto de vista Cristão reuniu, no Rio de Janeiro, um grupo de 15 católicos que, atualmente, são considerados um dos grandes legados da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), realizada na cidade em julho de 2013. O grupo é responsável pelo projeto Vozes Católicas, que teve sua origem no Reino Unido, trazido por religiosos para o Brasil durante a JMJ. A ideia é centrada na análise de fatos abordados pela Igreja pelos próprios católicos, denominados por grupo de "leigos", por não possuir uma ordenação sacerdotal.
"É um conjunto formado por pessoas comuns, leigas, que falam dos assuntos da Igreja e sobre as suas posições, doutrinas, dando seu testemunho das suas experiências cotidianas, de forma bem simples. Isso cria uma identidade com a outra pessoa dita leiga, ou seja, que não assume o papel de um padre", explica um dos integrantes do projeto, Alexandre Varela. Por experiência, atuando desde o início do Vozes Católicas, Varela afirma que a mensagem levada por um religioso a outro é difundida com mais facilidade e maior aceitação. "O indivíduo, um pai de família, por exemplo, se identifica mais com um rosto igual ao dele, para entender como a Igreja está se posicionando. Ele[o pai de família] não vai dizer 'está dizendo isso só porque é padre'", alegou o religioso.
Varela conta que o grupo se conheceu em um dos eventos produzidos na base do Comitê Organizador da JMJ, que recebeu os religiosos do Reino Unido durante a divulgação do trabalho deles na Jornada. Imediatamente, 15 pessoas de perfis e idades diferentes se propuseram a implantar o programa no Rio, com o apoio da Arquidiocese e do próprio Cardeal Dom Orani Tempesta. A consultoria foi dada durante o megaevento pelo grupo estrangeiro. "Já naquele primeiro momento, começamos a interpretar as falas do Papa Francisco para os jovens da Jornada. O recepção foi excelente", contou Varela.
Artistas, universitário, médico, físico, comunicador e blogueiros, dos 18 aos 62 anos de idade formaram o grupo. "Começamos o trabalho com sucesso, já abordando os temos herdados da JMJ", contou Varela, que é gerente de projeto e tem 36 anos. Ele conta que o preparo da equipe é feito de forma rigorosa, com testes envolvendo as plataformas usadas pela imprensa: rádio, televisão, internet e escrita. "Do início do Vozes até hoje, temos feito inserções bem importantes", disse. No entanto, Varela destaca que o tradicionalismo na escolha das fontes jornalísticas ainda representa uma barreira para a atuação do grupo. "Sempre aparece no final a pergunta 'você é padre?'", conta o religioso, considerando que, mesmo com a dificuldade, o Vozes conseguiu caminhar na tentativa de desmistificar essa cultura da mídia.
O jornalista carioca, quando solicita um posicionamento da Arquidiocese sobre determinado tema, é informado sobre a existência do Vozes e direcionado para os seus representantes. Um dos assuntos analisados pelo grupo gira em torno das características do verdadeiro Cristão. "Tem pessoas que se dizem católicas somente porque vai a missa. Mas esse conceito é bem mais profundo. O indivíduo tem que ser católico em todos os lugares, no trabalho, na escola, na família. E quando a gente comenta isso, através de uma linguagem simples e bem próxima ao nosso grupo social, fica fácil do outro compreender. Então, conseguimos chegar onde o padre não alcança", destaca Varela.
O assunto mais requisitado ao grupo desde a sua formação, segundo Varela, é "Papa Francisco". "Tudo que ele fala vira pauta", afirma ele. Varela analisa que o pontífice não está promovendo mudanças na base da doutrina, apenas se comunicando de uma forma diferente dos papas antecessores e trazendo à luz do debate um maior número de temas. "Ele [Papa Francisco] é super fiel ao magistério da Igreja. Apenas tem uma linguagem mais acessível e direcionada a todos. Geralmente, expressões que ele usa é difícil a gente mudar, porque são sintéticas e perfeitas", ressaltou.
"Essa missão do Vozes Católicas é uma bela iniciativa que, aqui na nossa Arquidiocese, acolhemos durante a Jornada Mundial da Juventude, em que podemos ver essa concepção de Igreja, que é o povo de Deus, os padres, bispos, fiéis leigos, religiosos, com a consciência de cada cristão, seja em qual missão estiver, tem a sua responsabilidade de evangelizar, testemunhar e conhecer a doutrina da igreja", disse o Cardeal Dom Orani Tempesta. Na visão do Cardeal, o grupo assumiu o papel de ajudar o religioso a fortalecer a sua fé, conhecer e levar adiante os ensinamentos e orientações da Igreja, com base na doutrina, no catolicismo e na palavra de Deus. "Poder trazer [o Vozes Católicas] aquilo que realmente é a missão da Igreja no mundo de hoje. Falam, portanto, como cristão leigos bem informados", destacou.
Dom Orani Tempesta avalia de forma positiva a atuação do grupo no ambiente religioso do Rio, especialmente pela diversidade dos participantes. "Agradecemos muito a Deus de contar com tantas pessoas jovens e capacitadas, tanto na ciência que elas têm na profissão quanto na doutrina da Igreja, para falar como Igreja dos assuntos importante para o mundo de hoje", destacou.
Agora que completou um ano de experiência regional, o Vozes pretende, nos próximos meses, formar novos grupos em outros estados brasileiros. "A gente quer aprofundar o contato com a mídia, com credibilidade e solidificar o grupo de trabalho nas mais diversas regiões do país", disse. Antes de chegar o Brasil, o Vozes teve representação na Argentina, Romênia, Espanha e México. "Cada um desses países tiveram experiências diferentes, de acordo com a sua cultura e tratamento com a imprensa. Assim como estamos vivenciando aqui no Rio", destacou Varela.
