Cabral: prédio do Dops será transformado em Memorial

Governador evitou polêmicas sobre nome do Engenhão 

Por Henrique de Almeida

Presente na cerimônia de posse da Comissão da Verdade do Rio de Janeiro, o governador Sérgio Cabral disse que só depende de uma demanda do presidente da Comissão, Wadih Damous, para a restauração do prédio e construção de um memorial da repressão da ditadura. A área, anteriormente, seria o local também de um museu, mas da Polícia Civil. Porém, o governador garantiu que há espaço para os dois:  

“O prédio do Dops serviu como palco de torturas físicas e mentais, processos covardes e fascistas. Então, esse é o ponto mais importante, e pode conviver com o histórico da polícia civil. Mas cabe à Comissão da Verdade fazer essa demanda. Será um centro de memória, como existe em vários lugares do mundo, a exemplo do Museu do Holocausto, onde as histórias são contadas com a linguagem adequada”, disse Cabral, sem no entanto fixar uma data para uma inauguração:

“O prédio está lá e precisa de um restauro, de um projeto de conteúdo para não ficar algo mambembe. Eu aguardo que o Wadih(Damous, presidente) me peça isso e que formemos uma comissão com a Secretaria de Cultura e a Polícia Civil para que possamos trabalhar juntos. Temos a Superintendência de Museus para isso. Mas vou aguardar que o Wadih fale comigo”, explicou o governador, que garantiu que o prédio do Dops de Niterói também deve ser transformado em memorial.  

Assunto Engenhão 

Wadih Damous, presidente da Comissão da Verdade, chegou a pedir enfaticamente durante seu discurso que sejam mudados os nomes de ruas, avenidas, praças e pontes, ainda batizados com representantes da ditadura e envolvidos em corrupção. Foram citadas a Ponte Rio-Niterói, originalmente chamada de Costa e Silva, e o Estádio Olímpico João Havelange, o Engenhão. Recentemente Havelange deixou o cargo de presidente de honra da FIFA, após estrondosas acusações de corrupção. “Por que não mudar o nome do estádio para João Saldanha?”, indagou, sob fortes aplausos. Cabral foi cauteloso até demais ao ser perguntado sobre sua opinião a respeito. “Eu acho que este assunto é da prefeitura, precisamos ouvir o prefeito Eduardo Paes”, disse. Ao insistirem na pergunta, ele manteve o cuidado com as palavras. “Acho que precisamos ser cautelosos e perguntar ao prefeito Eduardo Paes”, insistiu.