Papai Noel solidário traz emoção a hospital
Crianças do Instituto Fernandes Figueira ficam exultantes com os presentes
No Natal, a solidariedade e as boas ações fazem parte da rotina de muita gente. Afinal, a festa foi criada há milhares de anos para homenagear Jesus Cristo, símbolo maior da solidariedade na civilização Ocidental. A ação do Instituto Casa do Papai Noel no Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira, no Flamengo, é mais um bom exemplo.
O Papai Noel responsável pelo projeto é Antonio Ivo Daflon, presidente da OSCIP (organização da sociedade civil de interesse público).
O início do projeto foi há 37 anos, e hoje a Casa do Papai Noel atende 13 instituições. E não são só as crianças que recebem presentes:
"São mais de 15 mil presentes, para as crianças e para os pais. São presentes com qualidade, comprados diretamente da Mattel, das fábricas, e obtidos através de doações também", explicou Daflon.
Para entrar nas enfermarias, Daflon tem de descaracterizar a fantasia vermelha típica do bom velhinho, já que precisa vestir uma proteção verde sobre o traje a fim de evitar a contaminação no ambiente. Nada disso, no entanto, interfere no clima de festa que se estabelece como num passe de mágica.
Se nas visitas às crianças o Papai Noel é só sorrisos e alegria, durante uma interrupção dos 'serviços' para se alimentar, o bom velhinho chega a se emocionar ao contar sobre seu contato com as crianças:
"Durante a madrugada eu não dormi. Lá dentro a gente se segura um pouco, a gente lida com a vida e a morte a cada instante dentro de um hospital como esse", confessou ele, com lágrimas nos olhos.
Daflon conta que a vida nesta época do ano não é nada fácil para ele e para os voluntários. Alguns destes chegam a descarregar caminhões desde as 5h. O serviço, para o Papai Noel, não pára até as 18h,19h. Segundo ele, porém, todo o esforço vale muito a pena:
"Ser voluntário é se doar, se doar, se doar, se doar e jamais pensar em receber. E acaba que a gente recebe muito mais do que dá", filosofa.
Superação de ajudante emociona
João Vitor, de 13 anos, carrega os sacos para lá e para cá dentro das dependências do hospital, na ânsia de ajudar a dar os brinquedos para outras crianças. Os olhos arregalados piscam frequentemente e chegam a brilhar no momento em que ele ajuda o Papai Noel. João Vitor é uma das principais "renas" da Casa do Papai Noel, como são chamados os voluntários. E João Vitor conhece como poucos a importância deste projeto.
Quando tinha dois meses de idade, o jovem foi diagnosticado com a Doença de Chron, uma inflamação crônica do intestino. Depois disso ele chegou a ficar internado por oito anos na instituição. Desde que pôde, no entanto, João Vitor quis se tornar uma rena do Papai Noel Daflon, e sua doença nunca foi um impedimento para ele:
"Sempre quis ajudar, fazer o bem. E é uma coisa bonita ajudar essas crianças, assim como eu fui ajudado uma vez", disse ele, visivelmente emocionado por atender os pequenos do mesmo hospital onde esteve internado por tantos anos.
Dá para perceber o quanto o jovem é querido pelos outros voluntários, e até pelo próprio Papai Noel, que conta uma história envolvendo o mesmo João Vitor há seis anos para ilustrar a superação do rapaz:
"Em 2006, ele me pediu uma barriga nova porque não aguentava mais fazer cirurgia. Hoje em dia está ai, firme e forte", comemorou.
Desde 2008, João Vitor só não pôde participar de um ano no Natal do IFF: em 2011, quando estave internado em estado grave, o que culminaria na cirurgia, realizada em janeiro de 2012, que estabilizou seu quadro clínico. Agora ele já está recuperado para, neste Natal, ajudar quem está passando pelo que ele já passou.
Crianças encantadas
Nos corredores e nas alas do Hospital, a ansiedade das crianças era grande pela chegada do Papai Noel.
Stefany, de 14 anos, é moradora de Nova Iguaçu e voltou há uma semana para internação após mais uma crise respiratória causada pela fibrose cística, uma doença genética que afeta todo o organismo e pode causar a morte. Diagnosticada com a doença desde os seis anos, ela disse que vinha comendo as unhas de tanta ansiedade, e já deixava claro o seu desejo:
"Desde que não seja uma boneca, pra mim tá bom", decretou ela, enquanto segurava, curiosamente, uma boneca. "A gente não pode recusar, né?". À mãe, ela confidenciou que queria um notebook, e que havia pedido isso ao Papai Noel.
Karen, de 10, mora no Engenho Novo e possui osteogênese imperfeita, conhecida como "doença dos ossos de vidro", na qual os ossos do paciente ficam frágeis devido à falta de sintetização ou mesmo ausência do colágeno, fundamental para a formação dos ossos. O sorriso de Karen, algo entre a felicidade antecipada e a angústia de saber que presente receberia, sintetizava o momento vivido pelas demais crianças do hospital.
Quando Antonio Daflon, o Papai Noel, chegou à sala das duas jovens pacientes, o sofrimento foi esquecido na mesma hora. A primeira contemplada foi Stefany, que ganhou mochila, rádio e um kit de maquiagem. De repente, um embrulho maior parecia ser o tão almejado notebook.
Já Karen não se fez de rogada quando o bom velhinho foi até seu leito. Ela levantou-se, mostrando-se bem mais forte do que seus frágeis ossos poderiam supor, para abraçá-lo. Ela nem conseguia pensar em algo que ela tenha gostado mais:
"Eu gostei de tudo. Tudo!", reforçou. O detalhe é que no dia seguinte, 19, a paciente recebeu alta do hospital, o que permitiu que passasse o Natal em casa. Segundo a própria Karen, que assentiu com a cabeça, este foi o maior presente para a data tão especial.
