Ex-PM réu na morte de João Roberto sempre muda versão, diz promotor 

Por Gabriel Macieira

Um dos ex-PMs acusados da morte do menino João Roberto Soares, 3 anos, em julho de 2008, Elias Gonçalves, prestou depoimento do Tribunal de Justiça do Estado do Rio nesta quinta-feira. O promotor do Ministério Público Riscala Abdenur acusou o ex-policial de contar sempre uma nova história a cada vez que é interrogado.

O menino foi baleado durante uma perseguição policial no bairro da Tijuca. A mãe dele, Alessandra Soares, encostou o carro que dirigia para deixar a polícia passar, mas os agentes confundiram o veículo com o dos bandidos e atiraram.

Segundo o promotor, os policiais não tinham o direito de atirar e, se caso o carro parado fosse de algum bandido, não teria parado antes do sinal e ligado a seta. "Os policiais só podiam ser daltônicos, porque confundiram um Palio Weekend cinza com um Stilo preto", ironizou o promotor, referindo-se ao Fiat Stilo preto usado por bandidos que era perseguido pela dupla de PMs, quando abordaram o carro da mãe de João Roberto. Na época do fato, o governador Sérgio Cabral chamou os policiais de "dois débeis mentais".

O ex-PM, que foi afastado da corporação e está desempregado, chorou ao falar da morte do garoto. Segundo ele, foi difícil seguir sua vida depois do caso. Gonçalves afirmou que saiu da viatura com a arma apontada para baixo e disparou uma única vez, também para o chão. A perícia, porém, encontrou 17 marcas de tiros no local.

Willian de Paula, quando julgado, disse ter disparado dois tiros. "Se Gonçalves deu um tiro e Paula dois, de onde vieram os outros 14 disparos então?", questionou o promotor. Em dezembro de 2008, Paula foi condenado a prestar sete meses de serviços comunitários.

A mãe de João Roberto, a advogada Alessandra Amorim Soares, que também depôs nesta tarde, afirmou que não ouviu nenhum disparo antes de sair do carro. Ela disse que, ao sinalizar para a direita, jogou a bolsa do bebê para fora do carro para mostrar que carregava uma criança no veículo. O pai do menino, Paulo Soares, e a mãe acompanharam a sessão usando camisetas com foto do filho.

Também em depoimento prestado nesta quinta-feira, o Relação Pública da Polícia Militar, Rogério Leitão, que afirmou que os dois PMs "deixaram de ter alguns cuidados" e que o veículo parado não oferecia perigo.