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Acusado de mandar matar Patrícia Acioli diz desconhecer plano de execução

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O tenente-coronel Cláudio Oliveira, ex-comandante do 7º BPM (São Gonçalo) e acusado de ser o mandante do assassinato da juíza Patrícia Acioli, morta com 21 tiros em agosto, afirmou nesta sexta-feira que não conhecia qualquer plano para executar a magistrada. Ele disse ter pouco contato com o tenente Daniel Benitez, acusado de ter efetuado os disparos, e garantiu que tomaria todas as providências caso suspeitasse do subordinado.

“Ele só era mais um oficial do batalhão. Se tivesse percebido tais intenções teria tomado providencias”, disse o coronel, que negou ter problemas de relacionamento com Patrícia Acioli.

"O meu primeiro encontro com ela foi em 1989. Eu estava de serviço no estádio do Maracanã, em 1989, quando aconteceu uma briga na arquibancada. Com a chegada de policiais no local, alguns agentes se envolveram neste conflito. A atitude que tomei foi conduzir todos para a delegacia. Uma das partes conduzidas foi a Patrícia. Tempos depois eu soube que ela promoveu uma ação por abuso de autoridade contra mim. Mas depois os nossos contatos, quando necessários, foram sempre profissionais. Eu a procurei no episódio do processo de um major e a doutora Patrícia me recebeu com hospitalidade”, contou.

Nesta quinta, o cabo da PM Jeferson de Araújo Miranda, acusado pelo Ministério Público de ser um dos executores da juíza, negou os depoimentos dados anteriormente à Delegacia de Homicídios e à Justiça, em função do acordo de delação premiada. Ele afirmou que foi forçado pelo inspetor José Carlos Guimarães, da Delegacia de Homicídios, a mentir sobre a autoria e participação no crime.

O tenente Daniel Santos Benitez Lopez preferiu se manter em silêncio durante o seu interrogatório. 

Jeferson Miranda surpreendeu a todos durante a audiência quando perguntado pelo juiz Peterson Barroso Simão se confirmava o seu depoimento dado anteriormente. “Não, não confirmo. Fui forçado pelo inspetor Guimarães, que me pressionou a assinar o depoimento, e falou que se eu não aceitasse a delação, seria transferido para Bangu I ou Catanduvas”, declarou. E ainda: “Só pensei na minha família. Não confirmo a participação”. Segundo o policial, ele nem leu o termo da Delegacia, somente assinou. 

O juiz Peterson Barroso ainda perguntou se o acusado negava a declaração feita, em setembro, no processo da medida cautelar de antecipação de provas, em sua presença, na de advogados, promotoria e defensoria pública. O cabo respondeu: “Não disse a verdade”.

Segundo o magistrado, que quis saber o porquê da mentira, o acusado naquela oportunidade aparentava calma e foi bastante detalhista. O juiz também questionou o réu sobre uma declaração feita na audiência de setembro, em que pedira desculpas, com voz de choro, sobre o que aconteceu com a juíza. Jeferson desmentiu, afirmando ter dito: “peço perdão pelos problemas causados”.

O magistrado perguntou ao policial se ele tinha carro e quanto ganhava. Jeferson afirmou que tinha um Corolla, e que ganhava  R$ 2 mil por mês. O juiz quis saber também o preço do veículo. “Custa R$ 45 mil”, respondeu.

Em razão da mudança de depoimento do cabo, o juiz Peterson Barroso Simão cogitou a possibilidade de atender ao pedido do Ministério Público para transferir os réus para fora do Estado do Rio.

O major Eduardo Augusto Gonçalves, do Departamento de Pessoal da PM, também prestou depoimento neste dia. Segundo ele, o tenente Benitez chegou a comandar uma companhia no 7º BPM, na gestão do tenente-coronel Claudio Oliveira, embora esta função fosse para oficial de duas patentes acima.