Conflitos em comunidades pacificadas: cúpula da PM vê "casos isolados"; população reclama de abuso

Polícia vai usar câmeras fotográficas e filmadora para identificar envolvidos

Por Maria Luisa de Melo

O que era para ser uma convivência harmônica entre moradores e policiais militares de comunidades pacificadas, virou uma verdadeira guerra. Reclamando de abusos nas abordagens, a população lança mão de garrafas com pedras, coquetel molotov, paus e pedras para contra-atacar. Os casos de violência se repetem no Morro do Turano, no Rio Comprido (Zona Norte), na Cidade de Deus (Zona Oeste) e até no Complexo do Alemão - pacificado em novembro do ano passado - , onde ainda não há Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) e o comando está nas mãos de homens do Exército. 

Na madrugada do último domingo, cinco ficaram feridos nas duas últimas favelas e uma mulher perdeu dentes após ser atingida por uma bala de borracha no maxilar. Neste último caso, o Ministério Público Federal e a Força de Pacificação apuram se houve excesso dos homens do Exército.

>> Exército decreta toque de recolher no Alemão, segundo moradores

Câmeras identificam agressores

Para identificar os moradores que, segundo a polícia, causam tumulto, câmeras fotográfica e filmadora foram disponibilizadas nas sedes das 17 Unidades de Polícia Pacificadora. A intenção, segundo o comandante das UPPs, é punir os agressores.

“A orientação é de que se filme todas as agressões contra as UPPs e contra a tropa. Depois, entregamos para a Polícia Civil como prova. Quem atenta contra a polícia não pode ficar anônimo. Tem que ser identificado e, principalmente, punido”, afirma o coronel Robson Rodrigues.

Os cerca de 15 envolvidos nos conflitos do Turano estão respondendo criminalmente por agressão e danos ao patrimônio. As imagens gravadas pelos PM, mostrando as agressões, servem como provas em inquéritos.