Arquiteto morto em tentativa de assalto é enterrado no Rio
O corpo do arquiteto carioca Rômulo Castro Tavares, 33 anos, morto em uma tentativa de assalto no bairro Ipanema, no sábado, foi enterrado às 12h15 desta segunda-feira, no Cemitério Memorial do Carmo, no Caju, Rio de Janeiro. Muito abalados, os familiares de Rômulo pediram privacidade durante a cerimônia.
De carro, o arquiteto entrava na garagem do edifício onde mora na manhã de sábado quando foi rendido por um homem armado, com capacete. Um comparsa acompanhava a ação em uma motocicleta, também com o rosto coberto. Rômulo teria descido do veículo e caminhado em direção ao bandido, que atirou. Os criminosos não levaram o veículo e nenhum pertence da vítima, que usava um relógio Rolex.
O designer Gringo Cardia, colega de trabalho do arquiteto, afirmou que o amigo estava no auge da carreira. Com trabalhos premiados na Espanha e em Portugal, Rômulo preparava uma exposição na Casa Cor. Segundo Cardia, a apresentação será mantida e servirá como uma homenagem ao amigo. "Visualmente, ele era a cara do carioca. O exemplo do menino bonito, tanto no físico quanto no caráter. E essa brutalidade acontece, assassinado na porta de sua casa. Que sirva como símbolo dessa cidade. Só beleza não adianta, a gente tem que resolver nossos problemas", disse.
Dedicado a ações sociais, Rômulo ajudava o projeto Renascer e colaborava com iniciativas para encaminhar crianças carentes. "Lembro de um Natal em que pegamos alimentos e roupas e fomos entregar em uma instituição. Ele fez a felicidade do nosso Natal, aquilo foi muito bonito", disse o amigo.
Rômulo voltou para o Rio há dois anos, após uma temporada de experiências profissionais em Portugal. Seus pais vieram de Salvador (BA) para o enterro. Rômulo tinha uma irmã e um irmão que também não moravam mais no Rio. Maria Lisboa, a cachorra da raça Fox Paulistinha que estava na caminhonete Tucson de Rômulo quando ele foi assaltado, foi levada ao enterro e vai ficar sob o cuidado de amigos do arquiteto.
O primo de Rômulo, Francisco Loffred, que mora próximo ao local onde ele foi assassinado, fez um apelo à população para que denuncie os assaltos. "As pessoas acreditam que não vão reaver seus pertences e acham que não devem notificar o crime. Mas a polícia trabalha com manchas de criminalidade. É preciso saber onde e como os crimes estão ocorrendo para poder combatê-los", afirmou.
A Delegacia de Homicídios do Rio de Janeiro solicitou imagens das câmeras de segurança dos prédios vizinhos para tentar identificar os assassinos do arquiteto. Na região, uma das mais badaladas do bairro, outros moradores reclamaram da violência.
