Bueiros do Rio: Crea critica CEG e alega "falta de informações" da empresa

Por Maria Luisa de Melo

Depois da série de explosões de bueiros que atormentam a vida dos cariocas, sobretudo nas ruas do Centro e da Zona Sul, o presidente da Comissão de Análise e Prevenção de Acidentes do Crea-RJ, Luiz Antônio Consenza, criticou, nesta sexta-feira (15), a atuação da companhia de gás CEG para esclarecer as questões de vazamento de gás, encontrados em alguns bueiros que apresentaram problemas - como os do Centro. 

Segundo ele, a responsabilidade pelas explosões não pode recair apenas sobre a Light, mas também deve ser dividida com a CEG, já que o gás é, em quase todos os casos, o fator desencadeador das explosões.

Ainda de acordo com o engenheiro, os bueiros da Zona Sul, Centro e Tijuca são os que correm o maior risco de explosão, já que nestas regiões as caixas subterrâneas e a rede de fiação não passam por melhorias há pelo menos 15 anos.

“A Light já assumiu que não faz manutenção há 15 anos. No caso da CEG, porém, faltam acesso às informações para solucionar os problemas”, atacou Consenza. “É preciso que as duas concessionárias estejam dispostas e resolver o caso juntas. Se a CEG não colaborar, bueiros continuarão explodindo”.

Para evitar que novas explosões surpreendam os cariocas nas ruas, a prefeitura decidiu contratar uma empresa capaz de detectar todas as caixas subterrâneas que tenham presença de gás. Para Consenza, a medida é fundamental para exterminar o problema, já que o monitoramento feito pelas concessionárias é "falho". 

“Recentemente a Light fez monitoramento em 12 mil caixas subterrâneas e não informou ao Crea nem à Prefeitura a presença de gás em nenhuma delas”, expôs o engenheiro. “Já na semana passada, eu vistoriei caixas na região do Centro e em apenas uma hora e meia consegui detectar 14 delas com a presença grande quantidade de gás. Há a necessidade de uma empresa para fiscalizar que não seja a Light nem a CEG”, concluiu.

Sobre as falhas de manutenção, Consenza aponta erros das duas concessionárias. "A Light tem graves problemas de manutenção e a CEG ainda faz uso de tubos de ferro para conduzir o gás. Usar ferro é muito retrógrado. O ferro obviamente enferruja e o gás, consequentemente, escapa", criticou.

CEG afirma estar modernizando sua rede

Procurada pelo Jornal do Brasil para responder às críticas feitas por Luiz Antônio Consenza, a assessoria da CEG informou que toda a rede de ferro fundido está sendo substituída por tubos de polietileno (material mais flexível). A empresa alega ainda que a medida adotada trata-se apenas de uma atitude "preventiva".

A assessoria destacou que no caso da presença de gás nos bueiros que explodiram nas imediações da Rua Uruguaiana, a rede sofreu avaria devido à intervenções de terceiros (outras empresas que faziam obras no local).

Até julho do ano que vem, segundo a empresa, toda a rede subterrânea do Centro e da Zona Sul deve ser modernizada. 

Leia a nota na íntegra:

De maneira preventiva, a Ceg intensificou seu programa de vistorias e decidiu antecipar seu planejamento de obras no Centro e Copacabana.

A Ceg informa que já investiu R$ 2,6 bilhões em infraestrutura. Só na renovação e modernização de rede foram investidos R$ 500 milhões. Este programa de renovação da rede é permanente, contínuo e todo o sistema de distribuição de gás é seguro e é monitorado 24 horas por dia por seu Centro de Controle, um dos mais modernos do mundo. 

A Ceg possui 600 estações de regulagem (que equivalem as caixas de transformador) já foram substituídas.

A companhia faz manutenção preventiva continuamente. No momento, a Ceg atua em três endereços: Nossa Senhora de Copacabana, 74; Ministro Viveiros de Castro, 27 e Avenida Atlântica 2.172.