Bombeiros festejam liberdade com almoço improvisado na Alerj

Por Rodrigo Teixeira

Os bombeiros libertos na manhã deste sábado festejavam com a população fluminense a sua liberdade com um grande almoço de confraternização improvisado em frente à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Na festa, era possível ver moradores de rua, crianças, familiares dos bombeiros e os militares soltos. A categoria deve se reunir amanhã, em Copacabana, às 10h para prosseguir com a reivindicação de melhores salários.

Um dos momentos mais emocionantes do almoço improvisado foi a entrega da farda militar por uma mãe a seu filho. "Tudo que eu falei ao entregar a farda ao meu filho foi de coração. Sei que ali representei todas as mães de todos os bombeiros que estiveram presos. Eu só chorava enquanto ele estava detido, pois meu filho é digno, honesto e justo. Estão lutando por dignidade, e fazendo história por todas as classes trabalhadoras oprimidas", disse Ana Maria Pinho, 55 anos.

Seu filho, o sargento Jonathan Félix, trajava uma camisa em que se lia "Não somos 439. Somos 17 mil na corporação e também toda a população do Estado do Rio de Janeiro".

O grupo do sargento Marcelo Azevedo era um dos mais animados da festa. "Estamos comendo arroz, feijão, frango ensopado, salada de repolho e cenoura, está uma delícia. E ainda tem um copo de refresco de guaraná para acompanhar. É preciso agradecer a população que doou os alimentos para esta mobilização", disse. "Agora, nossa luta continua amanhã, pelos companheiros que estão presos. Também queremos a anistia".

Ainda permanecem presos 14 bombeiros (nove na Polinter do Rio e cinco em Niterói).

Relembre o caso

Cerca de 2 mil bombeiros que protestavam por melhores salários se aquartelaram na sede do Comando-Geral dos Bombeiros, na praça da República, em 3 de junho. Muitos dos manifestantes levaram mulheres e filhos. O Batalhão de Choque da Polícia Militar (Bope) invadiu o quartel por volta das 6h do dia seguinte e prendeu 439 bombeiros.

Os integrantes do protesto responderão pelos crimes de motim, danos ao aparelhamento militar (carros e mobiliário), danos a estabelecimento (quartel) e inutilização do meio destinado a salvamentos (impedir que carros saíssem para socorro). Dados oficiais apontam que os manifestantes danificaram viaturas, arrombaram portas do quartel e saquearam alimentos.

A situação vinha se tornando mais tensa desde maio, quando uma greve de guarda-vidas, que durou 17 dias, levou cinco militares à prisão. A paralisação acabou sendo encerrada por determinação da Justiça. Os bombeiros alegavam não ter recebido contraproposta do Estado sobre a reivindicação de aumento de um piso mínimo para R$ 2 mil. Segundo eles, os profissionais recebem cerca de R$ 950 por mês.

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