Rio: bombeiros só sairão dos quartéis em casos de urgência

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Depois da prisão de 439 militares do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro que participaram da invasão ao quartel geral da corporação na noite de sexta-feira, os bombeiros em serviço iniciaram na manhã deste sábado uma operação-padrão. Eles anunciaram que só vão sair dos quartéis para atender chamados de extrema urgência, como acidentes graves de trânsito ou incêndios de grandes proporções. Nas praias, no entanto, há bombeiros nos postos salva-vidas. Nos aeroportos, os postos também não foram abandonados.

Ao chegarem à Corregedoria Interna da Polícia Militar, em São Gonçalo, na região metropolitana da capital, os presos foram levados para um campo de futebol, onde colocaram as mãos na cabeça e, em um gesto de protesto, formaram a palavra SOS no campo, com uma bandeira do Brasil estendida no interior da letra O. Depois, eles fizeram uma reunião e decidiram voltar para dentro dos 14 ônibus que os levaram para lá.

A reunião do governador Sérgio Cabral com o comando dos bombeiros, o vice-governador Luiz Fernando Pezão e o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, iniciada por volta das 8 horas, dura mais de quatro horas e, segundo o presidente da Associação dos Bombeiros Militares do Estado, Nilo Guerreiro, a categoria aguarda com grande expectativa o fim da reunião e o pronunciamento oficial sobre a crise na corporação.

"Não há muito que fazer enquanto o governador não se pronunciar. Temos que saber em quais artigos os companheiros presos serão enquadrados e se o canal de negociação do governo com os bombeiros continuará aberto. Enquanto isso, posso dizer que toda a classe está unida e que temos a solidariedade de todos os companheiros. Nos quartéis, há faixas de apoio à nossa luta por melhores condições de trabalho e reajuste salarial", disse.

Sobre a invasão ao quartel geral dos bombeiros, na noite de ontem, Nilo Guerreiro disse que foi uma decisão do Grupamento Marítimo, segundo ele, a ala mais radical da categoria. "Saímos da manifestação em frente à Assembleia Legislativa, no centro da cidade, e fomos em passeata até a frente do quartel, também no centro, mas a intenção inicial não era invadir. Agora, temos que tentar um acordo com o governo para não encerrar as negociações", afirmou Guerreiro.

Em nota divulgada na manhã de hoje, o Comando-Geral da corporação afirmou que a rotina de atendimento à população não foi alterada e que os postos de salvamentos dos Grupamentos Marítimos, quartéis, unidades de atendimento de urgências e emergências (Samu/GSE) e serviços de combate a incêndios e desabamentos estão operando normalmente.

"Os substitutos dos bombeiros detidos pela Polícia Militar já assumiram seus postos desde o início da manhã na troca normal de plantões", afirmou a nota.

Manifestação e invasão de quartel

Parte dos cerca de dois mil manifestantes que invadiram o quartel dos Bombeiros na sexta-feira fizeram um escudo humano com as mulheres que participaram do protesto para impedir a entrada da cavalaria da PM no local. Um carro que estava estacionado no pátio do quartel foi manobrado para bloquear a entrada.

Na noite de sexta-feira, o comandante do Batalhão de Choque, coronel Waldir Soares Filho, foi foi ferido na perna. "Agora a briga é com a PM", avisou o comandante-geral, Mário Sérgio Duarte, ao saber da agressão. Ele foi ao pátio da corporação com colete a prova de balas e bloqueou com carro a saída do QG. Por volta das 22h, alertou que todos seriam presos se não deixassem o quartel. Mário Sérgio prendeu o ex-corregedor da PM coronel Paulo Ricardo Paul, que apoiava o protesto. O secretário de Saúde e Defesa Civil do estado, Sérgio Côrtes, decidiu antecipar a volta dos EUA ao Rio.

Os bombeiros espalharam faixas, a maioria pedindo "socorro" para a categoria. Relações públicas da corporação, o coronel Evandro Bezerra afirmou que caberia à Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil decidir o que seria feito. A manifestação teve início por volta das 14h, na escadaria da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Mais de 4 mil pessoas participaram do protesto, que seguiu pela área central de vias como a rua Primeiro de Março e a avenida Presidente Vargas. Os manifestantes soltaram fogos de artifício e foram acompanhados por policiais militares, mas o protesto seguiu de forma pacífica. De acordo com estimativas dos líderes da manifestação, mais de 5 mil pessoas participaram da passeata.

Os protestos de guarda-vidas começaram no mês passado, com greve que durou 17 dias e levou cinco militares à prisão. A paralisação acabou sendo revogada pela Justiça. Eles voltaram às ruas com apitaço e fogos de artifício. À tarde, pelo menos três mil protestaram na escadaria da Assembleia Legislativa (Alerj). Um dos líderes do movimento, cabo Benevenuto Daciolo, explicou que eles voltaram às ruas porque até agora não teriam recebido contraproposta do estado sobre a reivindicação de aumento do piso mínimo para R$ 2 mil. Segundo ele, os guarda-vidas recebem cerca de R$ 950.