Policiais levavam tênis e televisores de traficantes
Além de drogas e armas, os policiais que foram presos por desviar itens apreendidos dos traficantes do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, iam em busca de itens de uso pessoal, como tênis e televisores, segundo escutas telefônicas da polícias veiculadas pelo jornal Folha de São Paulo.
Em uma conversa, contatos dos policiais pedem para que eles levem TVs de LED encontradas e deixem em suas residências. Em outra conversa, um agente diz para um colega de trabalho onde ele pode encontrar pares de tênis deixados para trás.
Operação Guilhotina
Mais de 350 policiais federais foram às ruas do Rio, na sexta-feira, para cumprir 45 mandados de prisão e 48 de busca e apreensão contra policiais civis e militares. Investigações da PF apontam que os policiais acusados faziam jogo duplo e informavam os traficantes sobre operações realizadas em favelas da cidade.
Um dos criminosos beneficiados teria sido Antonio Bonfim Lopes, o Nem, chefe do tráfico nas favelas da Rocinha e Vidigal. Em setembro de 2009, o bandido foi avisado sobre uma grande operação montada pela PF para prendê-lo. As investigações indicaram que um braço-direito do chefe da Polícia Civil avisou o criminoso, e ele escapou do cerco.
Ainda de acordo com a PF, os policiais corruptos recebiam até R$ 100 mil de propina por mês para proteger os traficantes. Além disso, os acusados também roubavam os próprios bandidos. Os crimes mais recentes ocorreram nos complexos da Penha e do Alemão, quando policiais civis e militares foram flagrados saqueando dinheiro e pertences dos moradores e dos traficantes.
A ação se iniciou a partir de vazamento de informação numa operação policial que era conduzida pela Delegacia de Polícia Federal em Macaé, denominada “Operação Paralelo 22”, que tinha como principal objetivo prender o traficante conhecido como “Rupinol”, que atuava na favela da Rocinha junto com o traficante Nem.
Com Portal Terra
