Nova ecobarreira ajuda a despoluir Baía de Guanabara

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RIO - A Secretaria do Ambiente inaugurou, nesta quarta-feira (8), a décima ecobarreira no Grande Rio, sétima no entorno da Baía de Guanabara que fica em uma pequena enseada em frente ao Centro de Instrução de Fuzileiros Navais Almirante Sylvio de Camargo (Ciasc), uma das unidades do Centro Naval da Marinha do Brasil, no Bananal, Ilha do Governador, Zona Norte do Rio.

O complexo fica dentro de uma reserva de natural na Ilha. E foi exatamente a preocupação ecológica que levou o comandante do Ciasc, o contra-almirante Alexandre José Barreto de Mattos, a pedir a instalação de uma ecobarreira em frente ao centro de instrução. Segundo ele, a preservação do ambiente é uma questão de honra para a Marinha.

– Aqui, na Ilha do Governador, os poucos espaços preservados são ocupados por unidades das Forças Armadas, em particular pelo Corpo de Fuzileiros Navais, da Marinha. Por isso, procuramos a Secretaria do Ambiente com o objetivo de viabilizar esta barreira ecológica que vai contribuir de forma espetacular para tudo o que já fazemos aqui em termos de preservação ambiental – explicou o comandante do Ciasc, adiantando ainda que está em entendimentos com os coordenadores do programa Prove, da Secretaria do Ambiente, para instalação, no início de 2011, de um ponto de coleta de óleo vegetal usado em sua unidade, cujas cozinhas alimentam diariamente cerca de 1,5 mil pessoas.

A coordenadora do Programa Ecobarreira 2016, Carmen Lucariny, explicou a razão principal para a instalação da ecobarreira nesse ponto da Baía.

– Ela não vai proteger somente as cercanias aqui do Ciasc, mas toda a baía, porque os resíduos que chegam de todos os lados se acumulam no fundo do corpo hídrico, durante a fase de marés altas, e chegam aqui nas marés baixas. Estamos cercando esses resíduos aqui, evitando, principalmente os de grande porte, que eles saiam desse trecho e incomodem as embarcações em outros pontos da baía – detalhou Carmen Lucariny.

A ecobarreira, uma das maiores já instaladas, com cerca de um quilômetro de extensão, indo de uma ponta a outra da enseada, tem capacidade para coletar resíduos diversos, de grandes dimensões. A previsão é de recolher cerca de 10 toneladas de resíduos flutuantes por mês. O trabalho será feito por nove funcionários de duas cooperativas, filiadas à Federação das Cooperativas de Catadores de Materiais Recicláveis (Febracom). 

– Hoje, não nos preocupamos somente com reter o lixo flutuante, mas em se construir as ecobarreiras de maneira que não agridam a fauna marinha do lugar. A colocação de rede abaixo das bóias para conter o lixo também retêm peixes, mata os cardumes. Aqui, usamos outro sistema, enchendo garrafas pet de água, para fazer esta barragem submersa ao longo da ecobarreira, de maneira que o cardume faça um resvalo e não se machuque, com o peixe passando por baixo da barragem para entrar na enseada – especificou Walter de Lima, dono da empresa responsável pelo equipamento, garantindo que também vai recuperar a área de manguezal da enseada.

Foram investidos R$ 200 mil na implantação da barreira ecológica com recursos de dois Termos de Ajuste de Conduta (TAC) assinados com a FCA/Vale, por derramamento de óleo em Guapimirim, na Baixada Fluminense, em 1995, - a empresa também vai patrocinar a operação da unidade pelos próximos dois anos -, e com a Klabin Segall, por utilização de Faixa Marginal de Proteção (FMP), em São Gonçalo, no Leste da Região Metropolitana, também banhada pela baía.

O lixo que acaba no Ciasc é despejado em vários pontos do entorno da baía por rios e canais e chega ali trazido pelas correntes marítimas. Segundo a coordenadora do Programa Ecobarreira 2016, os que mais afetam esta parte da baía são os rios e canais da Baixada e de São Gonçalo.

– Já existem ecobarreiras nos rios Sarapuí, em São João de Meriti, e Botas, em Belford Roxo, e estamos instalando outras em outros rios da Baixada e de São Gonçalo, mas infelizmente nem todos os pontos de saída de água na baía têm ou terão ecobarreiras proximamente - lamentou.

As próximas a serem inauguradas serão em São João de Meriti, na Baixada, e nos rios Brandoas e Maruís, em São Gonçalo, ainda este ano, e no Rio Alcântara, também em São Gonçalo, no ano que vem. O fato de a maioria ser em São Gonçalo deve-se ao recente acidente ecológico provocado em Guapimirim pela Vale. Nos próximos cinco anos serão instaladas em torno de 20 unidades. Incluído no plano estratégico da Olimpíada, o Ecobarreira 2016 tem como compromisso reduzir a poluição, removendo e reciclando o lixo flutuante de rios, baías e lagoas do Estado do Rio.

As já instaladas estão localizadas nos canais de Sernambetiba, Arroio Fundo e Itanhangá, na Barra da Tijuca. As demais no entorno de deságue da Baía de Guanabara, nos Canais do Cunha e do Mangue (Docas) e nos rios Meriti, Irajá, dos Cachorros (Ceasa) e Botas, em Belford Roxo.