Não se pode supervalorizar denúncias de abusos, diz Beltrame
O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, participou no final da tarde desta terça-feira de um bate-papo com internautas por meio do Twitter. Na conversa, o secretário falou sobre a operação de combate à violência empreendida no Rio de Janeiro e criticou as denúncias "vazias" de abusos de policiais no Complexo do Alemão. "Não podemos supervalorizar outras coisas e deixar para trás a grande conquista da população", disse.
Beltrame afirmou que todos os policiais envolvidos serão punidos. "Existe esse problema e temos que combater", falou ao ressaltar que a Secretaria de Segurança enviou um caminhão da Defensoria Pública para atender as denúncias dos moradores. Ele disse que todos os casos serão apurados, mas que "denúncia vazia não vale". "Só levantar essa bola e não provar, não ter um caminho factível para pegar esses caras (policiais) não adianta. Não vamos perder o nosso foco", afirmou.
Interrompido duas vezes por ligações do governador Sérgio Cabral, Beltrame fez suspense e disse que o conteúdo da conversa só seria divulgado daqui a alguns dias. Ele também falou que as ações de segurança no Estado eram sempre paliativas e que "onde a mídia denunciava, a polícia agia", mas que isso começou a mudar com o planejamento e a arquitetura do trabalho. "Os traficantes viram que era o momento de agir, porque perceberam que a nossa política era duradoura", disse ao justificar o início da onda de violência promovida pelos bandidos.
Segundo o secretário, os comandantes do tráfico de drogas estão vulneráveis. "Os chefões saíram daqui enfraquecidos. Sem o território, sem moeda de troca, sem o fuzil eles estão por aí ao léu, perdidos. Os que não foram presos, a qualquer momento a polícia vai encontrar".
Ao concluir a conversa, Beltrame agradeceu o carinho e o apoio da população do Rio de Janeiro à ação empreendida no combate à violência e disse: "não ganhamos a guerra, mas a batalha mais importante. Temos muito o que fazer ainda".
Violência
Os ataques tiveram início na tarde de domingo, dia 21, quando seis homens armados com fuzis incendiaram três veículos por volta das 13h na Linha Vermelha. Enquanto fugia, o grupo atacou um carro oficial do Comando da Aeronáutica (Comaer). Na terça-feira, todo efetivo policial do Rio foi colocado nas ruas para combater os ataques e foi pedido o apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para fiscalizar as estradas. Ao longo da semana, Marinha, Exército e Polícia Federal se juntaram às forças de segurança no combate à onda de violência que resultou em mais de 180 veículos incendiados.
Na quinta-feira, 200 policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) tomaram a vila Cruzeiro, no Complexo da Penha. Alguns traficantes fugiram para o Complexo do Alemão, que foi cercado no sábado. Na manhã de domingo, as forças efetuaram a ocupação do Complexo do Alemão, praticamente sem resistência dos criminosos, segundo a Polícia Militar. Entre os presos, Zeu, um dos líderes do tráfico, condenado pela morte do jornalista Tim Lopes em 2002.
Desde o início dos ataques, pelo menos 39 pessoas morreram em confrontos no Rio de Janeiro e 181 veículos foram incendiados.
