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Uma Lagoa que também alaga

Por

José Luiz de Pinho, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Quem passou a pé ou de bicicleta na orla da Lagoa Rodrigo de Freitas, na manhã de sexta, na altura dos pedalinhos, no Parque da Catacumba, teve que ser equilibrista para não se molhar. Apesar de ter chovido pouco de madrugada, o local estava totalmente alagado, frustrando os amantes das caminhadas matinais.

Não choveu para tudo isso afirmou o presidente da Associação de Moradores do Canal do Jardim de Alah (Amaja), Bruno Pereira. O problema é que o canal está assoreado no trecho entre Ipanema e Leblon. Demoraram a retirar a enorme quantidade de areia, e a Lagoa transbordou.

O ambientalista Mário Moscatelli tem o mesmo pensamento.

Quando não chove muito, como naquele temporal de abril, e a Lagoa transborda é porque o Canal do Jardim de Alah está obstruído. Ele é o extravasor da Lagoa entende Moscatelli Quando isso acontece, ela transborda. Mas o descaso com a Lagoa já tão comum que nada me espanta.

Moscatelli adverte que o solo onde há anos foi feito um aterro no trecho alagado é de argila, úmido, o que contribuiu para a deterioração da quadra de esportes e de toda a área do entorno.

Moscatelli dá um exemplo do descaso das autoridades com um dos mais belos cartões-postais da cidade:

Já se passaram três meses daquele temporal de abril, e o deck continua lá, quebrado, largado, dando um aspecto de desleixo à Lagoa.

Quem também reclamou do que considera descaso das autoridades foi a presidente da Associação de Moradores da Fonte da Saudade, Ana Campitelli Simas.

Por ser tombada e um bem comum dos cariocas, a Lagoa merecia ser tratada com mais respeito. Isso é um descaso da prefeitura.

Além da obstrução do canal do Jardim de Alah, o presidente da Amaja, Bruno Pereira, alerta.

A prefeitura tem que ficar atenta aos rios Rainha, Cabeças e dos Macacos, que nascem no Sumaré e despejam suas águas na Lagoa lembra. Se chover muito lá em cima, alaga aqui embaixo.