Scala: ordem de despejo é comemorada pelos moradores do Leblon
Thiago Feres e Marcelo Fernandes, Jornal do Brasil
RIO - Situada há 20 anos na Rua Afrânio de Melo Franco, 268, no Leblon (Zona Sul), a Churrascaria Santos Anjos, razão social utilizada pelo Scala Rio, encerrará suas atividades por decisão da 4ª Vara de Fazenda Pública. A ordem de despejo com reintegração de posse pelo governo do estado foi recebida com satisfação e certo alívio pelos moradores do bairro.
O imóvel pertence ao patrimônio do Rio Previdência e estava cedido ao empresário espanhol Chico Recarey. Ao longo dos anos, o espaço foi palco de inúmeros e tradicionais bailes carnavelescos, formaturas, festas e shows. Alguns deles não tiveram desfechos muito felizes, com confusões e até tiroteios. Além dos transtornos causados ao trânsito na área, também existiriam dívidas pendentes do proprietário com o estado. Segundo a assessoria de imprensa do governo, os valores não estão sendo discutidos no momento, apenas a reintegração de posse . Procurados pelo Jornal do Brasil, os responsáveis pelo Rio Previdência não souberam precisar o valor atual do débito da casa de show com os órgãos estaduais.
Acredito que o Scala não contribua em nada para a cidade ou para o Leblon avalia a presidente de uma associação de moradores do bairro Evelyn Rosenzweig. Os eventos realizados na casa sempre tumultuaram a rua, e o fato de existirem dívidas com o estado incomoda toda a vizinhança. Podemos construir coisas muito mais relevantes para os moradores naquela área, ou o espaço pode ser vendido e o estado lucrar com isso. É melhor do que ficar somente no prejuízo.
Os responsáveis pelo Scala Rio terão o prazo de 90 dias para desocupar o local, a partir do recebimento da notificação judicial. A ação, proposta em agosto de 2001, não permite novos recursos judiciais ao empresário Chico Recarey, segundo destacou o governo. A execução é provisória, mas, salienta-se que, em 28 de abril de 2010, o terceiro vice-presidente do Tribunal de Justiça inadmitiu os recursos especial e extraordinário manejados pelo réu , dizia a nota oficial.
Após a devolução do imóvel, o prédio deverá ser leiloado pelo governo. A advogada Ana Maria Vilela, responsável pelo setor jurídico de todas as empresas sob a responsabilidade do empresário Chico Recarey, destacou que a ação ainda admite recurso, contrariando o que disse o governo. Segundo ela, a partir do recebimento da notificação, todas as medidas serão tomadas para manter a casa de show em pleno funcionamento.
Estudantes da UFRJ têm ideias para o novo espaço
Após recuperar a posse do terreno onde funcionava a casa de shows Canecão, o comunicado da reitoria da UFRJ, que pretende realizar uma reunião pública para decidir o destino do imóvel deixou os alunos empolgados.
A estudante de direção teatral Maria Eduarda Magalhães, de 19 anos, gostaria que o espaço fosse direcionado para alunos do seu curso.
O Canecão é uma ótima alternativa para termos um espaço. Nós sempre brigamos, literalmente, para ter salas aqui. Temos um problema sério para conseguirmos lugar para as aulas reclama.
Outra que apoia a ida das aulas de direção teatral para o Canecão é a aluna de publicidade Michelle Modesto.
Seria legal que eles ganhassem o espaço. Afinal, não têm onde ensaiar e já tivemos que interromper nossos estudos por causa dos gritos deles nas aulas de impostação de voz na sala ao lado reclama.
Já a diretora de cultura do Diretório Central de Estudantes, Carol Barreto, 24, quer inovação.
Eu gostaria que fosse um espaço de vanguarda, revelando novos artistas. Vou até propor a realização de um festival universitário comemora.
Para a aluna de pós-graduação em urbanismo Aline Coure, 32, o lugar só não pode ser abandonado.
É preciso ver outros aspectos também, pois a faculdade não tem muito dinheiro para investir em outros projetos, imagina lá opinou.
Construção feia, diz professor
O professor de comunicação e arte André Parente também espera que o espaço continue dedicado às artes.
Acredito que a direção da universidade vá dar um destino coerente. Embora seja uma construção feia arquitetonicamente e a acústica seja muito ruim, é um espaço para shows médios, e aqui no Rio não temos muitas opções para isso lamenta.
O reitor da UFRJ disse que irá realizar uma reunião com moradores e as comunidades artística e acadêmica para decidir o melhor destino à tradicional casa de shows em Botafogo.
Paes tenta acordo
Quinta-feira, o prefeito Eduardo Paes afirmou que vai procurar Aloísio Teixeira para tentar convencê-lo a aceitar uma parceria para que o Canecão continue funcionando como casa de shows. Segundo Paes, se a proposta da iniciativa privada trouxer recursos para a UFRJ, o projeto tem chance de vingar.
Twitter causa polêmica
Uma declaração da diretora da Escola de Comunicação (ECO) da UFRJ Ivana Bentes causa polêmica na rede de microblogs twitter desde quarta-feira. Em sua página pessoal, a professora escreveu que o aluno branco-danoninho da UFRJ se acha gênio porque passou no vestibular, esquecendo que a cota é dele, que sempre com todas as vantagens sociais .
Alunos imprimiram a frase da diretora e a afixaram em um mural da universidade. No campus, as opiniões sobre cotas divergiam. Para a aluna de direção teatral Rachel Guimarães, a frase da professora, que quinta-feira estava em um congresso em Vitória (ES), foi infeliz.
O twitter não é lugar para discutir o assunto, ainda mais nos termos que ela usou comentou Rachel, favorável a cotas sociais para alunos de colégios públicos.
O estudante de comunicação Kenzo Soares, 19, disse que o assunto deve ser debatido.
Sou a favor de cotas, mas é preciso discutir com todos na universidade para que se chegue a uma conclusão opinou.
Já a aluna de rádio e TV Renata Lestro, 22, defendeu Ivana, mesmo reconhecendo que a diretora teve uma posição um tanto agressiva.
Ela não chamou todo mundo de branco danoninho. Quis dizer que quem entra na UFRJ tem toda uma estrutura por trás. Só sendo um aluno muito ingênuo para não reparar que os pobres e os negros no campus são muito poucos, só não vê isso quem não olha em volta.
Quinta-feira, a reunião em que membros da UFRJ discutiriam as cotas no campus do Fundão foi cancelada.
