Temporal amazônico inunda o Rio

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Thiago Feres, Jornal do Brasil

RIO E BRASÍLIA - Os cariocas foram surpreendidos por um forte temporal, no final da tarde de segunda-feira, no momento em que muita gente já retornava do trabalho. Em poucos minutos, diversas vias da cidade ficaram completamente alagadas, com os pontos mais críticos na Zona Norte. Na Tijuca, o Rio Maracanã transbordou e provocou alagamentos em diversas vias próximas, como a Boulevard 28 de setembro, próximo à Rua Felipe Camarão. Na Praça da Bandeira, nas avenidas Presidente Castelo Branco e Maracanã, bem como nas ruas Conde de Bonfim e General Canabarro, o nível da água encobriu os pneus dos carros.

Na Avenida Brasil, principal porta de entrada da cidade, pelo menos cinco trechos ficaram alagados: Caju, Manguinhos, Bonsucesso, Ramos e Parada de Lucas. Quem circulou pela Zona Sul também encontrou trechos castigados pelo temporal. A Rua Jardim Botânico, na altura da Rua Pacheco Leão e do Parque Lage, e a Rua Voluntários da Pátria, na altura da Real Grandeza, foram os pontos mais castigados, e os motoristas encontraram grandes bolsões d'água. Na Avenida Prefeito Mendes de Moraes, em São Conrado, onde mora o ex-prefeito Cesar Maia, bueiros entupidos ocasionaram grandes transtornos e muito acúmulo de água nas vias.

Uma árvore caiu no Alto da Boa Vista, na altura do número 2.109, o que provocou lentidão no trânsito. Bombeiros precisaram ser acionados

O volume acumulado de chuva entre 17h30 e 18h30 chegou a 40 milímetros no Sumaré, no Méier e em Jacarepaguá. De acordo com o meteorologista Isimar de Azevedo, um volume atípico para os meios urbanos.

Para o leigo compreender o que seria isso, imagine uma caixa com um metro cúbico. É como se, no período de uma hora, a chuva enchesse quatro centímetros desse cubo, o que é um número bem alto revelou. Não é comum chover assim nas grandes metrópoles. Este é um volume de chuva típico em florestas densas, como a Amazônica.

As rajadas de vento atingiram a velocidade de 75 km/h às 17h, no Forte de Copacabana (Zona Sul). Também houve ventos fortes na região do Aeroporto Santos Dumont, com rajadas de aproximadamente 50 km/h.

Creio que rajadas não irão mais ocorrer terça-feira, uma vez que é normal o vento ser mais forte no dia em que a frente fria chega à cidade. No momento em que ela chega, é mais impactante disse Isimar de Azevedo.

Os trens da SuperVia também tiveram o funcionamento prejudicado em Manguinhos, onde houve alagamento nos trilhos. Segundo a concessionária, os trens do ramal Saracuruna circularam apenas no trecho de Saracuruna a Bonsucesso. O metrô também operou com atrasos.

Interrupção em Congonhas gerou efeito cascata no país

O retorno dos brasileiros do feriado de Páscoa foi turbulento não apenas no Rio de Janeiro, mas em alguns dos principais aeroportos do país. Segundo boletim da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), dos 1.104 voos previstos para decolar nos principais aeroportos do país até o início da tarde de segunda-feira, 380 sofreram atrasos, o que representa 34,4% do total. Outras 31 decolagens foram suspensas, o que equivale a 2,8%.

Pivô do efeito cascata responsável por boa parte dos atrasos, o aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, registrou atrasos em mais da metade dos voos programados para decolar do local até o início da noite de segunda-feira. Desde a abertura das operações diárias o aeroporto operou por instrumentos, devido à má visibilidade causada pela chuva, mas somente pela manhã esteve fechado para pousos e decolagens. A interrupção nos voos ocorreu durante vistoria para averiguar as condições da pista. Oito voos que deveriam pousar em Congonhas, por exemplo, foram desviados para Viracopos, em Campinas. De acordo com balanço da Infraero, até o início da noite os atrasos correspondiam a 69,1% dos voos programados no aeroporto de Congonhas, isto é 126 dos 182. Outros 16 foram cancelados na volta do feriado prolongado de Páscoa segunda-feira.

Já no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP), 32 das 104 decolagens previstas até as 13h de segunda-feira saíram com atraso, o que representa 30,8% do total. Quatro (3,8%) decolagens foram canceladas. Em Minas Gerais, o Aeroporto Tancredo Neves, em Belo Horizonte, registrou 21 atrasos dos 53 previstos, o que representa 39,6% do total.

Fim de tarde caótico nos aeroportos da cidade

Os aeroportos da cidade também foram muito prejudicados com o forte temporal que atingiu o Rio no final da tarde de segunda-feira. Por volta das 18h, o Aeroporto Santos Dumont registrava 68 atrasos, o que representava mais de 50% dos voos programado até então. As atividades foram completamente suspensas às 18h10, momento em que o aeroporto não apresentava condições para pousos ou decolagens. Os saguões ficaram cheios, e o terminal só foi reaberto às 18h41, quando precisou operar com o auxílio de instrumentos.

Estão dizendo que a causa do atraso é o mau tempo, mas sei que a pista do Aeroporto Santos Dumont é deficitária, e só perde para a de Congonhas, em São Paulo criticou o aposentado Marcos Santos, 69, que tinha passagem comprada para Brasília às 18h20, mas, por volta das 19h, permanecia no saguão do aeroporto, esperando informações sobre o novo horário de partida do seu voo.

Enquanto isso, o empresário Luís Henrique Nascimento, 38, ainda trabalhava em um dos bancos do Aeroporto Santos Dumont. A sua passagem estava programada para 12h30, quando ainda sequer chovia na cidade. Ele também seguiria para Brasília, onde tinha uma reunião marcada para terça-feira.

Inicialmente, minha escala seria em São Paulo, mas fui informado de que havia mudado para Belo Horizonte contou, enquanto manuseava um computador portátil. Aproveitei o dia para produzir daqui mesmo. Lamento que até para obter informações sobre passagens que a gente compra seja tão complicado aqui no terminal.

O Aeroporto Internacional Tom Jobim não chegou a fechar para pousos e decolagens, mas operou com o auxílio de instrumentos desde o início do temporal. Alguns pousos que seriam feitos no Santos Dumont chegaram a ser desviados para o aeroporto da Ilha do Governador, onde também foram registrados atrasos no final da tarde.

Para o presidente do Sindicato das Empresas Aéreas, Ronaldo Jenkins, fenômenos climáticos prejudicam o funcionamento de aeroportos em todo o mundo, o que prova que os problemas das chuvas são pontuais.

Recentemente, aconteceu a mesma coisa nos Estados Unidos e na Europa, quando a neve impediu a circulação de aviões lembrou. É ruim para o usuário e para as companhias aéreas, já que cada avião parado representa prejuízo. Sobre o Santos Dumont, ele sempre fecha em dias de chuva por problemas geográficos da cidade, uma vez que é perigoso quando o Pão de Açúcar fica encoberto. Não há relação com a pista.

Chuva também aumenta mortes nas estradas

A chuva forte que atingiu vários estados do país durante o feriado de Páscoa também atrapalhou a vida de quem encarou as rodovias federais. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) registrou, durante a Páscoa, 114 mortes causadas por acidentes nas estradas, 34% a mais do o que registrado no mesmo feriado do ano passado. Segundo balanço da PRF, foram registrados 2.355 acidentes nas estradas e rodovias federais de todo o Brasil. O número de pessoas feridas chegou a 1.431, um aumento de 25% em relação à Páscoa de 2009, quando foram registrados 1.144 feridos.

Segundo a PRF, a ocorrência de fortes chuvas durante o feriado foi a causa principal de grande parte dos acidentes. Outro fator agravante foi a imprudência dos motoristas que transitavam nas estradas. Durante as fiscalizações, a PRF autuou 673 pessoas e prendeu 337 motoristas em flagrante por embriaguez.

Ranking

O estado de Minas Gerais, detentor da maior malha rodoviária do país, liderou o ranking do número de acidentes e mortes nas estradas. Foram 502 acidentes com 27 mortes e 302 feridos. Houve aumento de 45,22% no número de acidentes em relação ao feriado de 2009, quando 13 pessoas morreram e 275 acidentes foram registrados no estado. Em segundo lugar ficou o Paraná com 254 acidentes e 11 mortes.

O Distrito Federal também contabilizou aumento no número de acidentes e mortes neste feriado. Segundo a PRF, os acidentes aumentaram 7,32% em comparação com o resultado da operação Semana Santa de 2009. Este ano, 44 acidentes foram registrados, resultando em 38 feridos e dois mortos nas rodovias do DF e Entorno. No ano passado, não houve registro de óbitos.

Rio de Janeiro

Por outro lado, a PRF verificou diminuição no número de mortes nas estradas do Rio de Janeiro, com o registro de apenas dois óbitos. No mesmo período em 2009, foram registradas sete vítimas pela PRF. A quantidade de feridos se mantive estável. Neste ano, cerca de 10 mil veículos foram fiscalizados e mais de 3 mil infrações foram registradas nas estradas fluminenses.

O índice de acidentes nas estradas paulistas durante o feriadão de Páscoa também foi menor do que o de 2009 e ficou em 0,81, resultado 1% inferior ao registrado no mesmo período de 2009 (0,82), segundo cálculos da Secretaria Estadual dos Transportes. Essa ligeira queda está associada ao índice de feridos, que atingiu 42,89 ante 51,11, uma redução de 16,1%. O índice de mortos, no entanto, subiu de 2,44 para 2,81, um aumento de 15,4%. Em números absolutos, no feriado deste ano foram registrados 1.043 acidentes, com 36 mortos e 549 feridos. O índice de acidentes é calculado com base no volume diário médio de veículos e na extensão das rodovias, um total de 22 mil quilômetros, e é considerado um indicador mais fiel da situação das estradas paulistas.

Em Santa Catarina os números em relação ao ano passado também melhoram. Ao todo, 33 motoristas foram autuados por dirigirem embriagados e foram registrados 253 acidentes, 191 feridos e cinco mortes. No feriado de 2009, ocorreram 264 acidentes, que deixaram 142 feridos e sete mortos. Houve redução no número de acidentes e de mortes, respectivamente, 0,34% e 28,57%. Já em Pernambuco o número de acidentes diminuiu, mas o de mortes aumentou. A PRF registrou 66 acidentes, oito mortes e 34 feridos nas rodovias do estado.