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'Esqueleto': Prédio no Estácio é foco do mosquito Aedes aegypti

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Thiago Feres, Jornal do Brasil

RIO - Construído na década de 50, o prédio da Rua Frei Caneca, número 511, é uma grande preocupação para quem mora, trabalha ou estuda no bairro do Estácio. No local, invadido por moradores de rua há cerca de 10 anos, é possível flagrar péssimas condições de higiene. O esgoto vaza a céu aberto, o lixo se acumula e, em alguns pontos, existem imensas poças d'água, onde o mosquito transmissor da dengue pode se reproduzir.

Estamos no período onde a gente mais deve se preocupar com o Aedes aegypti. Sempre chamamos as equipes da Secretaria de Saúde, mas não adianta muito. No dia seguinte, a situação já está igual afirma a administradora da Primeira Igreja Batista que fica ao lado do prédio, Fauzita Ramos.

Na Escola Vitória, pertencente à igreja, estudam 250 crianças dos ensinos fundamental e médio.

No ano passado, sofremos muito com os casos de dengue aqui no colégio. Até registros de dengue hemorrágica nós tivemos lembra Fauzita.

Tentativa de integração

Instalada no local desde o ano de 1928, a igreja não pretende deixar o bairro. Durante os fins de semana, a instituição religiosa oferece serviços sociais para crianças que moram no prédio e, aos domingos, fornecem um jantar comunitário.

Todo o nosso trabalho não adianta. Eles arremessam pedras aqui dentro. Já acertaram um dos nossos veículos. Às vezes, até fezes são atiradas dentro do nosso pátio. A gente não reclama. Temos medo de sofrer represálias lamenta Fauzita.

No muro de cerca de 3 metros de altura que divide a lateral do prédio e a entrada da igreja, foi instalada uma grade com cerca de mais um metro, para tentar impedir que objetos sejam arremessados.

Já participamos até de reuniões com a prefeitura, mas o assunto nem precisou ser citado pela gente. Outros moradores do bairro também reclamam destaca Fauzita Ramos.

A versão foi confirmada pela reportagem.

A situação na parte da noite é ainda pior, eles gritam muitos palavrões. Meu filho não passa mais sozinho nessa calçada afirma Gilda Souza, 26, moradora da região.

O prédio pertence ao Banco do Brasil. Foi passado pela Editora Bloch, antes de falir, como parte do pagamento de uma dívida com a instituição financeira. Em nota, o Banco do Brasil se limitou a dizer que estuda uma destinação para o local.