Polinter apura facilitação após fuga de 28 presos
Fernanda Malta, Jornal do Brasil
RIO - Oito bandidos disfarçados de policiais invadiram a Polinter (delegacia especializada em captura e custódia de presos), de Vila Isabel, na Zona Norte, e soltaram 28 detentos, por volta das 10h deste domingo.
Para entrar no prédio, os bandidos, vestidos com uniformes de policiais civis, mostraram um documento falso e ainda fingiram que haviam capturado um criminoso, que entrou algemado na unidade. Apenas dois agentes faziam o plantão no local, que abriga 150 presos. Eles foram rendidos pelos falsos policiais que chegaram em dois carros, um astra prata e um corolla preto. Com um alicate, o grupo arrombou os cadeados de cinco celas, onde havia 30 presos. Dois deles não quiseram fugir.
Até o final da tarde três presos haviam sido recapturados pela Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), que fez ronda nos arredores da Polinter em busca de outros foragidos. Um deles foi encontrado em um ônibus na Rua Teodoro da Silva, em Vila Isabel. Dois ainda estavam nas redondezas e outros dois retornaram espontaneamente.
Os fugitivos foram ouvidos pelo Coordenador de Controle de Presos da Polinter, Orlando Zaccone, que não descartou a possibilidade de envolvimento de policiais, já que a ação foi muito bem coordenada . De acordo com Zaccone, a libertação dos presos mostra deficiência no sistema de carceragens.
Estamos repensando nossos mecanismos de segurança, pois ficou provado que ele não funciona. A intenção agora é adotar novos procedimentos e mecanismos para evitar ações desse tipo. Não vai ser suficiente uma pessoa se apresentar com o uniforme da polícia nem levar alguém algemado, mesmo com documentos falsos.
Ainda segundo Zaccone, é possível que os criminosos quisessem libertar um preso específico, mas ainda não se sabe quem. A ação durou menos de 20 minutos, segundo Zaccone. A polícia já identificou os 25 presos que ainda estão foragidos.
O Coordenador de Controle de Presos da Polinter ainda afirmou que vai abrir uma sindicância para avaliar o envolvimento dos policiais que estavam de plantão de manhã.
Haverá um processo criminal na delegacia e um procedimento na corregedoria para apurar se há policiais envolvidos. Não descarto a possibilidade de informações terem chegado por policiais. Isso não é novidade, acontece em sistemas com mais segurança do que o nosso.
Segundo Zaccone, a maioria dos presos libertados é de comunidades como Mangueira e Jacarezinho e tem ligações com quadrilhas de tráfico de drogas.
Os presos recapturados e os dois plantonistas prestaram depoimento na 18ª DP (Praça da Bandeira), a central de flagrantes. Os bandidos levaram uma arma calibre 40 de um dos agentes.
A Polinter está localizada em uma das entradas do morro dos Macacos, onde um helicóptero da Polícia Militar foi derrubado, no dia 17 de outubro. Durante este domingo, policiais mostraram preocupação com alguma ação dos traficantes locais.
