Homem que atropelou grupo de jovens no Méier pode voltar a dirigir
Camilla Lopes, JB Online
RIO - Processado pelo atropelamento de 12 pessoas e a morte de Juliana Batista Moreira, de 20 anos, em novembro de 2007, Luiz Fernando Machado da Silva Júnior, que, segundo o processo, estava embriagado na hora do acidente, só não volta a dirigir se não quiser. Respondendo em liberdade por homicídio culposo (sem intenção de matar), Silva Júnior já cumpriu a suspensão do direito de dirigir por um ano, pena máxima aplicada pelo Detran, e agora basta que faça um curso de 30 horas de reciclagem e passe nas provas para que, em cerca de seis meses, volte a guiar.
Depois do acidente, Luiz Fernando não prestou socorro às vítimas, mas foi capturado quando bateu com carro, poucos metros adiante, no bairro do Méier (Zona Norte). Mesmo preso em flagrante, não ficou na cadeia.
Nesta segunda-feira, foi realizada uma audiência no Tribunal de Justiça para que fossem ouvidas às testemunhas do crime e, pela primeira vez, a mãe de Juliana, Isabel Moreira, ficou frente à frente com o responsável pela morte da filha. Ela conversou com o Jornal do Brasil minutos antes da audiência.
Ele nunca se desculpou. Agora é acreditar na justiça dos homens. Eu espero que ele pague pelo que fez e sirva de exemplo disse Isabel que se transformou em uma ativista no combate à combinação álcool e direção.
O Detran admite que pouco pode fazer para evitar que condutores com o histórico de Silva Júnior voltem às ruas, mesmo respondendo por crime de assassinato.
Nós estamos lutando muito para tentar mudar essa realidade e dar ao Detran a autonomia de nunca mais permitir que uma pessoa que tenha cometido uma infração tão grave volte a conduzir um veículo afirmou o coordenador de julgamento de condutores do Detran, Flávio Horta.
Lei branda
De acordo com o professor de direito de trânsito Marcelo Araújo, a probabilidade de Luiz Fernado pegar uma pena leve e voltar a dirigir é grande.
Pode ser que o juiz aplique a pena máxima de suspensão da carteira, por cinco anos. Já a pena por homicídio, nesse caso, é de dois a quatro anos. A Lei de Trânsito é, em geral, leve e cheia de recortes critica o especialista.
