MP denuncia supostos exploradores de travestis de Copacabana
Portal Terra
RIO DE JANEIRO - O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro ofereceu, nesta sexta-feira, denúncia, com pedido de prisão preventiva, contra seis suspeitos de integrar uma quadrilha que explorava sexualmente travestis em Copacabana.
A denúncia, da promotora Ana Lúcia Melo, pede a abertura de ação penal contra os acusados pelos crimes de rufianismo (exploração da prostituição alheia com intenção de lucro), tráfico interno de pessoas para fins de exploração sexual e submissão de criança ou adolescente à prática da exploração sexual.
Cinco integrantes da quadrilha foram presos temporariamente na terça-feira, durante a operação Babilônia II (o prazo da prisão termina neste sábado). A denúncia apresentada acrescenta ao rol de suspeitos o nome de Maria Pimentel de Oliveira, conhecida como Pimentel, cuja ligação com a quadrilha foi descoberta após a prisão dos demais acusados.
Pimentel, que controlaria uma parte dos pontos de prostituição de travestis compreendidos entre a antiga boate Help e a praça do Lido, está em liberdade e teria assumido os pontos antes explorados pelos supostos chefes da quadrilha, identificados como Ulisses Menezes da Motta, o Iarley, e Cláudio dos Santos Magalhães, o Boró.
A quadrilha operava desde agosto de 2002 e, segundo a denúncia, "tinha total controle de toda a prostituição feita por travestis em Copacabana", exigindo mediante graves ameaças o pagamento de R$ 50 a R$ 150 por semana, em troca da "autorização" para se prostituir em via pública no bairro.
No caso de descumprimento das regras impostas, cobravam-se "multas" de R$ 500 a R$ 1 mil. O dinheiro, como ficou comprovado pelas interceptações telefônicas autorizadas judicialmente, era recolhido pelos denunciados Leonardo Silva Costa, o Graciele, Rafael de Almeida, o Rafaela, e Eliane da Silva, a Lia.
Pimentel atuaria com "autorização" de Ulisses e Cláudio e cobraria valores diferenciados. O grupo exploraria entre 60 e 120 travestis, dependendo da época do ano.
- Os crimes praticados por esse grupo criminoso são graves na medida em que impõem terror no bairro de Copacabana, visto serem conhecidos, os dois primeiros em especial (Ulisses e Cláudio), por sua violência e brutalidade, tendo inclusive graves antecedentes criminais - afirma, na denúncia, a promotora.
